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É Carnaval em todo lugar, menos em Belém

A notícia chegou em janeiro antecipando a Quarta-feira de Cinzas e fazendo parar a sinfonia de máquinas de costura, montagem de carros e adereços que já tomava conta dos barracões das escolas de samba de Belém. Neste ano, não haveria Carnaval oficial na c

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A notícia chegou em janeiro antecipando a Quarta-feira de Cinzas e fazendo parar a sinfonia de máquinas de costura, montagem de carros e adereços que já tomava conta dos barracões das escolas de samba de Belém. Neste ano, não haveria Carnaval oficial na capital paraense. A Prefeitura de Belém alegou falta de dinheiro para não organizar o desfile das oito agremiações que fazem parte do Grupo Especial e que, juntas, reúnem mais de sete mil pessoas. “Para mim foi como receber um tapa. A gente estava se preparando desde agosto. Já tínhamos oito alas prontas”, conta Esmael Tavares, presidente da Escola Deixa Falar que levaria para a avenida a história do dendê. O Pará é o maior exportador de dendê do Brasil e o óleo de palma, como também é conhecido, é usado na produção de alimentos e cosméticos.

Com 87 anos, o Rancho não Posso me Afiná, tradicional escola do bairro do Jurunas, teria como enredo a temática do respeito às diferenças. No samba “Seis Cores por um Mundo Melhor: Celebração ao Orgulho de Ser Difirente, Não Desigual”, a escola contaria na avenida a luta dos movimentos LGBT. “É um enredo polêmico, que teve repercussão na sociedade”, conta o carnavalesco da escola, Paulo Anete, afirmando que o tema deve ser o mesmo para o Carnaval do ano que vem. “É triste e lamentável (não ter o desfile deste ano). Infelizmente muita gente prefere o que vem de fora, enlatado, e não valoriza o que temos. Carnaval é cultura popular”, critica.

Mesmo sem apoio oficial, o Rancho fez um arrastão pelas ruas do Jurunas. Vendeu 600 camisetas e usou algumas fantasias que já estavam prontas. “Belém está ficando culturamente para trás. Já tivemos grandes carnavais e hoje perdemos para outras capitais do Norte como Manaus”, ressaltou Anete.

A Grande Família homenagearia Carajás, onde fica a maior província mineral do planeta. “Fizemos o enredo, gravamos o samba e construímos os protótipos das fantasias”, diz Theo Souza, conhecido como Théo Pérola Negra, presidente da agremiação. Segundo ele, para levar o enredo à avenida, seriam gerados cerca de 200 empregos temporários entre costureiras, marceneiros e ferreiros e pessoal especializado na produção de chapéus.

Sem Carnaval oficial, a escola da Pedreira, o famoso bairro do Samba e do Amor, colocou o bloco na rua nos domingos de janeiro e fevereiro. “Nosso sentimento é de tristeza. Desde que foi criada, há 43 anos, a Grande Família nunca deixou de se apresentar em um desfile oficial. É a primeira vez que ficamos sem ir para a avenida”, conta Edmilson Pereira, diretor de bateria da escola, que contaria a história de três entidades da umbanda: Mariana, Jarina e Herondina, Com os tambores silenciados em Belém, Edmilson deixou Belém e foi curtir o Carnaval dos blocos de rua em Vigia.

(Rita Soares)

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