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Em Belém, Alemão questiona realidade e imaginação

No famoso “Mito da Caverna”, Platão problematiza a questão acerca da realidade das imagens. O texto consta no livro “A República” e é uma das mais conhecidas alegorias da história da filosofia grega. Partindo do pressuposto filosófico sobre a realidade de

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No famoso “Mito da Caverna”, Platão problematiza a questão acerca da realidade das imagens. O texto consta no livro “A República” e é uma das mais conhecidas alegorias da história da filosofia grega. Partindo do pressuposto filosófico sobre a realidade dessas imagens, o alemão Martin Juef apresenta a exposição “Pelas Sombras”, com fotos e desenhos selecionados pela curadoria de Mariza Mokarzel e Jussara Derenji, hoje a partir das 19h, no Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), em Belém. A entrada é gratuita.

As 12 fotografias presentes na mostra foram produzidas em Belém, Salvador e Rio de Janeiro, e mostram pessoas em ambientes públicos, fotografadas à noite e com efeito borrado. Para o artista, é uma metáfora à alegoria de Platão. “Vivemos entre aquelas imaginações da realidade e fantasmas. Tudo o que acreditamos pode ser apenas uma ilusão, portanto as sombras de Platão, assim como nossas memórias privadas, poderiam ser apenas ilusões”, analisa.

Juef utiliza um equipamento antigo e que não opera com toda sua qualidade, por isso o efeito nas fotos não é proposital nem decorre de alguma técnica específica, mas sim do próprio defeito de sua câmera antiga. A série completa possui mais de 100 imagens.“As pessoas parecem fantasmas devido a um defeito. É uma câmera muito pobre, que não funciona muito bem. Mas esses efeitos permitem simular o início da história da fotografia. É metafórico sobre como percebemos a realidade, sempre com defeitos ou erros, como Platão disse”, explica. É, como ele diz, uma maneira de pôr em xeque o realismo fotográfico e a constante e exacerbada produção de imagens na contemporaneidade.

Já os desenhos, feitos a partir da técnica do pontilhismo, são diferentes e buscam promover discussões sobre como lidamos com fatos e com coisas materiais. “Essas coisas que temos certeza de que são fatos, como as nossas memórias e nossa identidade, mas não são! Estamos sempre colocando essas coisas em categorias que nos ajudam a nos orientar, mas tudo é apenas uma ilusão. Só que funciona por um tempo”, analisa.

Verdade?

Martin Juef tem em suas obras maneiras de refletir sobre o que é verdade ou ilusão, e o que nos torna imersos nessa dúvida. “Com minha arte final eu tento refletir sobre como as imagens influenciam nossa imaginação do mundo e de nós mesmos e de nossas memórias. Acho que as imagens ocupam um papel muito importante em nossa sociedade, muito mais do que em outros períodos históricos anteriores”, pontua.

Ele também critica que não entendemos o modo como funcionam esses mecanismos da imagem. “A imagem está mostrando algo, mas você não pode usá-la argumentando contra. As imagens não abrem um discurso, terminam o discurso. Nesse sentido, as imagens não funcionam como discurso democrático. Temos que descobrir como as imagens influenciam em nossas mentes e como elas nos fazem funcionar”, finaliza.

Questione-se

Exposição “Pelas Sombras” - fotografias e desenhos de Martin JuefAbertura: Hoje, às 19hVisitação: De 8 de março a 20 de abril, de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, sábado e domingo, das 10h às 14hOnde: Museu da UFPA (Av. Gov. José Malcher, 1192, Nazaré)

Artista vive entre Belém e Berlim

Martin Juef nasceu em Berlim em 1966. Estudou História da Arte na Universidade Técnica e Pintura na Universidade das Artes em Berlim com o professor Walter Stöhrer. Possui mestrado em Arte no Contexto, pela Universidade das Artes em Berlim. O seu trabalho artístico abrange pintura, colagem, instalação e desenho. Desde início de 2014, Martin Juef vive e trabalha tanto em Berlim como em Belém.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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