Um olhar desconfiado e miúdo de se ver afronta os transeuntes de um logradouro de Belém. É o rosto de um homem, pintado com cores fortes, obra do artista Éder Oliveira, que estampa um muro da capital paraense, um dos retratos inspirados nas notícias de assaltantes, homicidas, menores fora da lei que estampam cadernos policiais.
Éder sempre teve um fascínio pela forma de representar o outro. Instigado pelo tema, ele promoveu no final do ano passado o seminário “Retratos Contemporâneos”, ao lado dos artistas Armando Sobral (PA), Ernesto Bonato (SP) e Flávio Biroli (MG). O catálogo do projeto será lançado hoje, às 19h, na Associação Fotoativa, em Belém, com um pocket show do músico Lucas Estrela.. A entrada é gratuita.
A publicação, que tem o selo da editora Edições do Escriba, tem 68 páginas e reúne texto do curador Divino Sobral sobre a história do retrato, além de conteúdos dos artistas participantes e será distribuída gratuitamente. Contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, do Ministério da Cultura, o projeto pretende, com o catálogo, servir de fonte de pesquisa para curadores, artistas e estudantes, sobre o retrato, seja na pintura, desenho, gravura ou outras linguagens plásticas.
“O projeto foi muito importante para todo mundo que participou e para a arte em Belém, trouxe novas visões. Revi minha própria forma de trabalhar a partir das conversas, técnicas, passei a tentar experimentar outras formas de pintura, percebi que posso ser mais abrangente e falar do próprio retrato que já desenvolvo, desse homem amazônico, e melhorar esse para que seja significativo”, diz Éder Oliveira.
Para Ernesto Bonato, o projeto funcionou como um intercâmbio entre os artistas e se assemelha ao que ocorreu quando da época dos grandes pintores. “Os momentos de transformação e força da pintura estão ligados a movimentos de aproximação dos artistas.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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