Se nos cinemas a Marvel ficou conhecida por suas piadas e um tom mais leve, na TV a empresa preferiu adotar um caminho mais sombrio e pé no chão. Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage trazem personagens densos, com conflitos internos e passados dolorosos. Então é com espanto que chega Punho de Ferro, seguindo na linha contrária de tudo isso e adotando diversos recursos narrativos típicos dos quadrinhos das décadas de 60 e 70.
Tudo está lá: os furos de roteiro que existem só para beneficiar o herói, os vilões caricatos que beiram os desejos megalomaníacos de “dominar o mundo” e os diálogos (altamente) expositivos que jogam informação na cara do espectador ininterruptamente. Se isolados, esses elementos não são tão problemáticos assim, porém são conduzidas de uma forma não muito eficiente na série e acabam soando estranhos demais para um público que já se acostumou com a profundidade de Demolidor e companhia.

A trama basicamente consiste na história de Danny Rand (Finn Jones), que perdeu a família em um acidente de avião arquitetado por um executivo ganancioso, ficou anos treinando artes marciais na cidade mística de K’un-L’un e voltou à Nova York para tomar de volta seu lugar de direito na empresa bilionária do pai. É uma narrativa que se repete em diversos heróis da indústria dos quadrinhos, mas que aqui acaba parecendo fantasiosa demais, já que a Marvel precisa conectar suas séries para conseguir reunir seus personagens em Os Defensores — nesse aspecto, acaba sendo mais um problema de coesão com as outras produções do que da série isoladamente.
Em termos visuais e de coreografia, Punho de Ferro não apresenta nenhum problema, com as cenas de luta sendo dirigidas de maneira excepcional e recheadas de referências a filmes de artes marciais. Tal qual Luke Cage, a série opta por usar mais cenas diurnas, deixando de lado a atmosfera taciturna de Demolidor e Jessica Jones.

Em termos de atuação, quem mais se destaca positivamente é Jessica Henwick, com sua Colleen Wing, que se apresenta como uma mulher forte e decidida que não engole sapo de ninguém. Por outro lado, David Wenham e sua interpretação como Harold Meachum chega a ser risível em vários momentos — é como se estivéssemos assistindo ao Dr. Evil, de Austin Powers. Finn Jones entrega um Danny Rand honesto, sabendo dosar bem a fúria do guerreiro, seu estado contemplativo e sua inocência em relação ao mundo ocidental contemporâneo.
Apesar de diversos problemas, Punho de Ferro ainda é uma série divertida de assistir que sabe aproveitar bons elementos do cânone do personagem e os adapta para uma nova realidade. Não é emblemática, como Demolidor — e nem se propõe a ser — mas é uma boa pedida para uma tarde de sábado, quando tudo que queremos ver é um ser poderoso dando porrada em tudo enquanto comemos pipoca no sofá.
A Netflix concedeu acesso aos seis primeiros episódios da série antecipadamente. Punho de Ferro estreia em 17 de março na Netflix.
Fonte: Jovem Nerd
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