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Mostra retoma vencedores do Salão Primeiros Passos

Iniciando trajetória nas artes visuais, três artistas tomaram impulso ao ser premiados no “Salão Primeiros Passos”, do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU), em 2015. Dois anos após esse primeiro encontro com o público, eles voltam à Galeria de Ar

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Iniciando trajetória nas artes visuais, três artistas tomaram impulso ao ser premiados no “Salão Primeiros Passos”, do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU), em 2015. Dois anos após esse primeiro encontro com o público, eles voltam à Galeria de Artes do CCBEU – Mabeu para permitir um olhar mais ampliado sobre essas mesmas séries, incluindo novas obras. Intitulada “Premiados Primeiros Passos 2015”, a exposição abre hoje, às 19h, e permanece para visitação até 20 de abril, incluindo os trabalhos de Elisa Arruda (1º lugar), Iza Girard (2º lugar) e Deia Lima (3º lugar), assim como o de Ylen Britto, que recebeu Menção Honrosa.

“O CCBEU, enquanto fomentador cultural, acredita que uma exposição tem a capacidade de revelar de maneira mais incisiva a carreira do artista, que a partir deste momento ganha um contorno solo – ainda que em uma exposição coletiva”, destaca Simei Bacelar, gerente artístico e cultural do CCBEU.

Elisa Arruda, a grande vencedora daquela edição, tornou-se conhecida por desenvolver um desenho que se debruça no branco. De 60 desenhos que colecionava na época da premiação, hoje a série “Essa É Você” chega a aproximadamente 150, todos em pequena escala e fazendo uso predominante de nanquim.

Esta é a terceira passagem da artista pelo Mabeu. Ela já havia recebido menção honrosa com esta mesma série no “Salão Primeiros Passos” de 2014. Desde então, ela explica que o projeto foi apresentado a partir de novos desdobramentos. “Os desenhos que mandei em 2014 já tinham a inclusão de textos, a associação com música. Mas agora, trago mais elementos relativos aos personagens, ao espaço onde se encontram, aos objetos”, explica. No conjunto da obra, o público encontrará questões afetivas que abordam o gênero feminino através de pequenas histórias.

A arte da ilusão de Ylen Brito

A jornalista Ylen Brito, de 24 anos, recebeu menção honrosa no “Salão Primeiros Passos” de 2015 com a série “Ops!”. E, mesmo naquela ocasião, não era uma estreante no Mabeu, onde expôs em 2014, na coletiva “Retrato em Branco e Preto”, resultado de uma oficina realizada no Studio 10.

Sobre o projeto que agora será exposto mais amplamente, a artista conta que o título – “Ops!” – era uma brincadeira com o nome do estilo artístico visual Op Art, no qual se inspirou. “Como há o uso de recursos visuais para provocar ilusões de ótica neste movimento artístico, compus as obras com os materiais que estavam ao meu alcance. Todas as imagens têm predominância com formas circulares”, aponta Ylen.

Signos do feminino e do sagrado em duas artistas

Deia Lima teve o trabalho “De Maria a Madalena” selecionado em terceiro lugar e conta que o projeto proporcionou a ela “experimentar a sensibilidade, o vigor do corpo, a sua forma, como ele pode agir e também o ato das relações pessoais”. E completa: “São autorretratos que revelam a beleza e a alma feminina.”

A pesquisa iniciada em 2015 ganhou novas obras para esta exposição. “Serão inclusas duas novas obras, além da tríade que foi premiada”, diz a artista, cujas imagens em exposição se baseiam na experimentação de fotografia em baixa velocidade. “Tudo nasceu dentro de oficina, em que gerei autorretratos envoltos em tecidos de várias cores. A tríade premiada é composta pelas imagens em tecido vermelho”, explica Deia.

Iza Girard também apresenta trabalho fotográfico com a série “Chuvas de Abril”, iniciada em 2015, ano da premiação. “Nasci numa região de rios, igarapés e com vasta vida vegetal – no qual há sempre um período em que a chuva é mais intensa, e outro em que fica menos, e nesse período, tudo fica mais calmo e dá para observar os espelhos d’água, pequenas poças que vão ficando nas calçadas e outras superfícies. Através delas é que consigo retratar o sagrado. Mas o que tento retratar não é o sagrado instituído, e sim aquele que a linguagem não é capaz de exprimir”, diz.

Apesar da formação como pedagoga, Iza conta que sempre fez pequenos cursos em Belém como em São Paulo, com professores como o fotógrafo Miguel Chikaoka. “A arte sempre foi presente, de dois anos para cá com mais intensidade. E essa série com a qual fui premiada, acho que vou passar a vida fotografando para ela, porque sempre estou vendo coisas nesses reflexos na água”.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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