As mulheres podem ter o sexo como uma forma de empoderamento. É o que defende a coach de relacionamentos Joyce Beverlly, que diz que o autoconhecimento e a liberdade para descobrir a própria intimidade podem pôr abaixo o estigma de que mulher não gosta de transar e reforçar a confiança feminina.
“A liberdade sexual da mulher ainda é um tema que a própria mulher tem que enfrentar, tanto fisicamente, tocando seu corpo, quanto psicologicamente, encarando os preconceitos que precisa enfrentar para ter prazer. Então, acredito no esclarecimento sobre a sexualidade como uma forma de pensar esse empoderar para se realizar por completa e ter segurança de sua performance sexual. Poder ouvir as histórias de outras e compartilhar as angústias permite que a gente oriente essa mulher e conjuntamente pensemos em como melhorar a sua vida nesse sentido, sendo mais feliz e livre”, explica Joyce, que criou um workshop em que reúne mulheres para falar sobre tópicos como sexo tântrico, sexo oral, sexo anal, masturbação masculina e feminina.
A iniciativa surgiu após Joyce, que é professora de português, ter atuado junto às mulheres ligadas ao Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac), no centro comercial da capital paraense. A realidade dessas mulheres a fez perceber que o sexo ainda é um assunto que precisa ser debatido em diversas esferas - mas principalmente sob o viés do empoderar, do trazer o conhecimento do corpo e dos prazeres íntimos para que a satisfação e reconhecimento sejam possíveis.
Falta de informação dificulta escolhas
No contato com as mulheres, Joyce diz ter percebido que ainda há muitas dúvidas e falta de informação sobre como alcançar o prazer juntamente com o parceiro ou parceira. “Busco compreender porque nós ainda somos limitadas, porque muitas ainda não se acham capazes de buscar algo melhor, socialmente e na cama, o que se quer e o que se deseja de verdade. E às vezes, essas questões estão interligadas. É preciso que cada uma nós descubra o próprio prazer”.
Uma parte importante do workshop também se dedica à segurança na hora do sexo.
“Falamos bastante sobre o uso do preservativo feminino, que pode ser colocado até oito horas antes do ato sexual e que pode trazer mais conforto para a mulher também. Isso tudo acaba envolvendo a gente para um outro tipo de conversa sobre sexo e sentimento, e como tudo isso se encaixa na nossa vida. A mulher precisa saber como e onde quer ser tocada, onde é seu prazer, e compartilhar isso com quem ela se relaciona. As relações ainda estão muito no foco na excitação do início, na penetração e do orgasmo masculino. A gente quer que a mulher também saiba como atingir seu orgasmo”, diz a coach.
Vamos falar sobre sexo?
A enfermeira Andressa Barros, 23 anos, está acostumada a lidar com o corpo em suas particularidades fisiológicas, mas lhe faltava compreender de que maneira o corpo é também social. Quando se fala sobre sexo, muitas vezes vêm em sua mente temas relacionados à saúde. Mas e o encontro? A parceria? A descoberta do prazer? Esses assuntos descortinaram novas possibilidades para entender a questão da sua própria sexualidade.
“A mulher ainda tem medo e acho que muito ainda tem a ser debatido. Sinto que sexo, para mulher, ainda é tabu. Por que? Querendo ou não, a sociedade ainda é machista, sempre se fala sobre o assunto com muito pudor. As gerações antes da minha nem podiam falar sobre o assunto, era como se fosse proibido. Hoje já começa a mudar, mas ainda assim é difícil para a mulher falar, com medo de se expor”, comenta a enfermeira.
Solteira depois de terminar um relacionamento recentemente, Andressa diz que o sexo tem um papel importante na sua vida. Mas que para ela, não pode ser casual demais.
“Sexo é essencial na vida das pessoas, assim como outras necessidades básicas. É uma questão de confiança, só consigo relaxar com confiança, é uma questão de tempo e conhecimento do parceiro”, opina.
A psicóloga Mônica Lemos, de 40 anos, também acredita que a troca é importante. Ela pontua que com a maturidade e a intimidade de um relacionamento mais longo, pensa-se o sexo também como um momento de prazer em que ambos podem entrar em sintonia. “O sexo, quando a gente é mais jovem, é visto apenas como forma de prazer e não de troca, de amor, carinho, de companheirismo e, com o passar dos anos e a parceria com marido ou companheiro, isso vai se tornando mais prazeroso, porque a gente vai se permitindo e dando importância ao que realmente gostamos, passamos a olhar de maneira diferente para o sexo”, diz.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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