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Da Tribu representou o Pará em evento de moda

Com práticas mercadológicas que alinham essência filosófica de um fazer colaborativo e criação com base em elementos naturais e renováveis, a empresa Da Tribu, de Belém, alça seus voos, e foi a única da região Norte a participar do São Paulo Fashion Week

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Com práticas mercadológicas que alinham essência filosófica de um fazer colaborativo e criação com base em elementos naturais e renováveis, a empresa Da Tribu, de Belém, alça seus voos, e foi a única da região Norte a participar do São Paulo Fashion Week (SPFW). O evento mudou de formato este ano e realiza duas edições, uma em março e a outra em agosto, ambas na Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera. Um movimento diferente do evento conhecido por inaugurar tendências em moda no país tem sido a aproximação com produtores que fazem seus trabalhos em menor escala, exploram o criar de forma mais orgânica e que não possuem tantas semelhanças com o modelo econômico da moda tal qual a própria proposta do SPFW. Essa aproximação ocorre via parceria com o Sebrae e o Instituto Nacional de Moda e Design (IN-MOD) - que selecionou apenas 15 marcas em todo o país para apresentar no evento.Tainah Fagundes, sócia-fundadora da Da Tribu, comemora essa proximidade com a organização de um dos maiores eventos de moda do mundo (esta é a segunda vez que a empresa participa; ela já fez parte também da loja Pop UP em 2015), e pondera que, apesar do antagonismo de linhas produtivas, é preciso abrir diálogo sobre vestuário e globalização. Para a mostra em São Paulo, as empreendedoras apresentam peças da coleção Pontear, Multi Ubuntu e Anel Ubuntu, feitas com fio de algodão encauchado com látex e acabamento em madeira de demolição.

“É bem legal que o evento tem conseguido abrir canais com empreendedores criativos. Juntos vamos nos aprimorando e também aumentando o nosso olhar. Ficamos felizes de encontrar esses ecos dentro do mundo dos negócios, as ideias no mesmo caminho. A Fashion Week passa por uma transformação e pensa nessa transformação. Já não tem mais como não perceber o autoral e o artesanal. Estamos aqui. E a moda já foi artesanal, depois que ganhou produção em escala, mas sempre existiu o processo manual, o feito à mão. Acreditamos que possa haver moda com respeito, ética, compromisso e impacto ambiental positivo”, reflete Tainah Fagundes.Esta é uma tendência dos grandes salões e de alguns empresários, como o bilionário italiano Brunello Cucinelli, que declarou: “O grande sonho da minha vida sempre foi trabalhar para a dignidade moral e econômica do ser humano”.

“Os eventos de moda, grandes salões, e pessoas importantes pensam nessa transição e abrem esses espaços paralelos para refletirmos: como produzimos e de que forma nossos produtos chega até o consumidor final?”, questiona a fundadora da Da Tribu.“Romper com o modelo econômico capitalista não tem jeito, então são economias paralelas. Vivemos dentro dessa economia, mas existem várias formas de produzir de maneira, compartilhada, criativa, colaborativa, circulando, e assim a gente se reinventa. É falar sobre moda e dinheiro, mas pensando na de forma sustentável para toda a cadeia”, explica.

Curadoria de produtos

A loja surgiu por iniciativa de Kátia Fagundes, que sempre gostou de produzir artesanato, mas sentia-se incomodada com o mercado de trabalho e com a maneira que se estabelecem algumas relações comerciais. Quando ela e Tainah decidiram abrir a Da Tribu, sabiam que seria um caminho novo e pouco explorado, mas acreditaram no potencial da própria verdade do que realizam. Tanto que essa postura foi fundamental para a marca ser selecionada para estar no SPFW.

“Eles olham para as marcas que têm coerência on-line e off-line. A gente gosta de trabalhar e da comunhão familiar, agora a minha prima Marina Fagundes é nossa representante em São Paulo. As peças Ubuntu, da coleção Pontear, foram escolhidas pois refletem a nossa postura. Não estamos freneticamente mudando, é slow fashion, a gente se aprimora dentro da própria coleção, às vezes vindo de clientes que percebem algo na hora que usam os acessórios e nos dão dicas. E criamos para falar de uma produção olhada para essa moda mais livre. Não tem padrão ou forma, é orgânica, e não é para se encaixar em padrão. Não queremos estar agarradas nisso”, diz Tainah.Tanto que o nome Ubuntu não foi escolhido à toa: significa, em uma lenda africana, “sou o que sou pelo que nós somos”. “É a importância do momento, como ser e se reconhecer no outro, se reinventar no outro”, finaliza.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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