Com uma narrativa visual sensível à vida dos povos remanescentes de quilombos de Oeiras do Pará, o documentário “Samba de Cacete - Alvorada Quilombola”, dirigido por André dos Santos, ele próprio descendentes de escravos, e Artur Arias Dutra, da Lamparina Filmes, foi selecionado para o “Festival Internacional de Filmes Pan-africanos” de Cannes, na França. Esta é a primeira vez que um filme da produtora, fundada em 2015 e sediada em Belém, fará parte de um evento internacional. E começa com o pé direito, logo num mais conhecidos festivais do audiovisual, que vai ocorrer de 5 a 9 deste mês.
Para os diretores, foi uma ótima surpresa. “A gente se inscreveu, mas não tinha tanta expectativa de que pudéssemos ser selecionados. São produtoras do mundo inteiro concorrendo e apenas 50 inscritos. A gente fica muito feliz, já estamos buscando distribuires para outros público, principalmente para mostrar a nossa cultura Amazônia, que é a marca dos nossos trabalhos”, diz André.
Realizado com recursos da Secretaria do Audiovisual (SAV), do Ministério da Cultura, por meio do “Edital Curta Afirmativo 2014: Protagonismo de Cineastas Afro-Brasileiros na Produção Audiovisual Nacional”, o documentário foi rodado na comunidade de Igarapé Preto, e mostra história de homens e mulheres negros e seu cantar e bailar conhecido como samba de cacete, herança cultural dos escravos que, ao caminho da pesada labuta no meio da floresta, entoavam cânticos para aliviar a dor.
André dos Santos teve contato com a comunidade por meio de uma pesquisa arqueológica, mas, quando viu a manifestação da cultura popular, perguntou se poderia filmar. E logo após, ao saber do edital, veio o estalo para dar continuidade à gravação, de forma profissional.
“O que me chamou atenção é que se trata de uma tradição afro-brasileira e que está muito na oralidade, não tem muita coisa escrita sobre o assunto. Para a salvaguarda, para ficar registrado para as próximas gerações, decidimos realizar o documentário. É uma manifestação única com elementos daquela região”, comenta o diretor.
(Diminik Giusti/Diário do Pará)
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