Arte e mercado, por vezes, podem figurar uma equação um tanto complicada de resolver. Mas galerias resistem e São Paulo realiza a partir de amanhã uma das maiores feiras artísticas da América Latina, a SP-Arte, que reúne mais de 100 empreendimentos com exposição de obras modernas e contemporâneas e peças de mobiliário e design com assinatura de nomes famosos. Os paraenses Luiz Braga e Eder Oliveira compõem a 13ª edição do evento, representados pelas galerias Leme e Periscópio, respectivamente. Também por esta última estará no evento o maranhense criado em Marabá e hoje residente em Belo Horizonte, Marcone Moreira.
Do Pará, memórias, paisagens e política. As pinturas de Eder Oliveira - que pesquisa há um tempo os signos da identidade do homem da Amazônia - apresentam em monocromias em vermelho os rostos estampados nas páginas policiais dos jornais. Para a série “Galeria de Gatunos”, ele pesquisou cadernos policiais de jornais antigos na Biblioteca Pública Arthur Vianna e constatou que, editorialmente, se trata de algo parecido com o que se faz hoje. “Me dediquei a perceber as imagens, as diferenças entre o antigo e agora. Meu interesse não é no crime ou na marginalidade, mas perceber o que essas imagens refletem sobre o homem amazônico nas mídias. Eles não aparecem nas propagandas e em outros meios, apenas no crime. Qual o papel dessa imagem? O que ela nos diz?”, questiona, enfatizando o contraste absoluto do carmim no papel, metafórico.
Também da observação das pessoas, só que a partir de seus fluxos e transitoriedades, Marcone Moreira apresenta obras feitas a partir de madeiras de embarcação e de carrocerias de caminhão, geralmente recolhidas no sudeste do Pará. O conjunto das oito peças forma um grande painel no pavilhão expositivo. “Penso na influência desses meios de transporte e na interferência da paisagem de onde esse material foi retirado, a Transamazônica, a região de Marabá, onde tem dois rios que cruzam a cidade. É uma vontade de cruzar esses materiais. A escolha das obras não partiu somente do aspecto mercadológico, mas me representa em qualquer lugar que eu for expor. Considero o que tenho de mais representativo do que tenho feito”, diz Marcone.
"Meu Pulso é minha resistência", estrutura de ferro e espelho de Francisco Klinger Carvalho (Foto: Divulgação)
Francisco Klinger abre individual em São Paulo
O paraense radicado na Alemanha Francisco Klinger Carvalho apresenta, a partir de hoje, “Metáfora de uma Terra Perdida”, primeira exposição individual na Galeria Andrea Rehder, em São Paulo. Trata-se de um conjunto de obras em escultura de madeira, ferro e gesso criadas a partir da sua observação do cenário político brasileiro. A sua trajetória artística é marcada por essa reflexão em torno de temáticas sociais. “Meu objetivo foi fazer tal qual uma opereta, com uma narrativa visual que possa se compreender como se passam os atos. Essas obras são resultados de outras que já vinha desenvolvendo e que fiz aqui no Brasil”, explica.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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