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Moradores e artistas encenam Paixão de Cristo

Encenações da Paixão de Cristo costumam atrair espectadores principalmente pela carga emocional e as mensagens presentes em cada cena. Mas bem antes de tudo isso chegar ao palco – ou às ruas –, parece envolver uma lição de fraternidade. “A gente idealiza,

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Encenações da Paixão de Cristo costumam atrair espectadores principalmente pela carga emocional e as mensagens presentes em cada cena. Mas bem antes de tudo isso chegar ao palco – ou às ruas –, parece envolver uma lição de fraternidade. “A gente idealiza, organiza, mas é junto com os moradores que a gente consegue realizar. Eles ajudam fazendo bingo, doações. Tem uma ajuda muito grande da comunidade em geral, até os pais dos atores ajudam”, diz Aloísio Freitas, do Grupo Experimental de Teatro Aldeato, que encena há 32 anos a Paixão de Cristo no bairro de Canudos, um projeto que chega a envolver mais de 200 pessoas.

Iniciando em um grande palco montado na quadra da Igreja de Queluz, o grupo Aldeato se apresenta hoje a partir das 18h30 e segue para a encenação da via crúcis - trajeto seguido por Jesus carregando a cruz, que vai do Pretório até o Calvário – pelo bairro, da rua Cipriano Santos até a Américo Santa Rosa. “Dentro da história, incluímos algumas coisas renovadas, como a apresentação de danças e a presença de personagens como os anjos ao longo do trajeto”, adianta Aloísio, que quando iniciou o projeto no bairro, chegou a assumir o papel de Jesus Cristo por vários anos.

SIDERAL

Assim como o grupo Aldeato, em Canudos, moradores e atores de vários bairros de Belém refazem nesta Sexta-feira Santa os últimos passos de Jesus. No bairro do Sideral, a Paróquia da Natividade do Nosso Senhor Jesus Cristo faz duas apresentações: hoje, às 12h, na rua em frente à paróquia até o palco, onde ocorrerá a crucificação; e domingo, às 20h, será encenada a ressurreição, no interior da igreja, após a missa. Realizada por atores amadores, do próprio bairro, a montagem, diz o diretor Raphael França, tem a intenção de levar uma mensagem às pessoas. “A gente vê tanta coisa errada, pessoas se desrespeitando. Que elas possam parar e lembrar que há um ser maior que ama e que olha por todos nós”.

Uma das mais conhecidas em Belém, a Paróquia São Francisco de Assis, da Igreja dos Capuchinhos, como é mais comumente conhecida, se utiliza da simbiose liturgia-teatro. “A Via Dolorosa quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da cruz de Cristo ao longo do mar da vida. Por isso, a Via Sacra não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas exprime a essência da experiência cristã”, diz o coordenador Everson Rolim. Lá, o espetáculo contará com dois momentos: a narrativa dos 15 passos de Jesus até a morte na cruz, com saída às 7h, da paróquia, e uma encenação, às 19h, na quadra paroquial, onde será dramatizada a paixão, morte e ressurreição, com elementos imagéticos contemporâneos na dramaturgia.

TERRA FIRME

Somando 41 anos de Paixão de Cristo, o grupo de teatro Ribalta, atuante na Terra Firme, apresenta a temática “Jesus – A Santíssima Trindade”, com texto e direção de Otávio Freire. “Seguindo do início ao fim da peça com estas três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) que atuaram em Jesus Cristo, concebemos as cenas sem sair da fonte maior, que são os quatro evangelhos”, destaca Eli Chaves, coordenador do Ribalta. O espetáculo inicia às 19h e é todo encenado na Travessa São Pedro, em frente à sede do Terra Firme Esporte Clube. “Em um bairro que tem muitos problemas, mas tem um pulso coletivo, que envolve crianças, jovens e adultos, conseguimos mover toda uma comunidade”, orgulha-se Eli.

MARITUBA E MOSQUEIRO

A Companhia Encen’Art, idealizada pelo ator Milton Costa, realiza em Marituba uma das Paixões de Cristo mais bonitas daquele município. Parte da beleza está no fato de o grupo promover um trabalho coletivo de artistas oriundos de várias congregações religiosas, com o único objetivo de unir “arte e evangelização”. No espetáculo, cerca de 60 atores representam toda a história de Jesus como é contada nos quatro evangelhos – incluindo cenário, som, iluminação e figurino especialmente pensados para atrair o público de todas as idades.

Através desse projeto, destaca o diretor, Milton Costa, o grupo pretende oferecer lazer e entretenimento, mas também ter algum efeito no turismo, “que com certeza, com o excelente resultado do espetáculo, nos tornará referência em nosso Estado”, anseia. Nos último dois anos, a montagem alcançou uma média de 4 mil espectadores em dois dias de encenação. Por isso, este ano, além da apresentação que ocorre hoje, às 18h, no Ginásio Poliesportivo de Marituba, duas apresentações especiais – hoje, às 21h30, e outra no sábado, às 19h – ocorrem na Praia do Chapéu Virado, em Mosqueiro.

ANANINDEUA

Em Ananindeua, um dos destaques da Sexta-feira Santa é a Paixão de Cristo da Paróquia de Santa Rita de Cássia, apresentada pelo grupo de teatro e dança Sant’arte. Ao recontar essa parte da vida de Jesus, destaca Jairo Anjos, diretor do espetáculo, também será mostrado “o quão atual essa história é, como conflitos ainda assolam o mundo, unicamente pela falta de compreensão e respeito entre irmãos. Como os marginalizados ainda sofrem, sangram e morrem, simplesmente por serem diferentes”, lembra.

O grupo é formado por moradores da comunidade e a apresentação ocorre dentro da própria paróquia, a partir das 18h30, tendo ainda figurino e coreografia de Leonardo Bahia.

SANTO ANTÔNIO DO TAUÁ

Com o tema “Eis que te envio como ovelha no meio de lobos”, o Movimento de Teatro e Dança Alvará para Loucura realiza pelo quinto ano consecutivo a encenação da Paixão de Cristo em Santo Antônio do Tauá, município distante 59 quilômetros de Belém, com acesso pelo BR-316. “A gente vê que hoje poucas pessoas aceitam Jesus como alguém que veio para salvar a humanidade dos pecados. E como algumas pessoas criticam e tentam impedir o trabalho de evangelização de quem quer fazer o bem. Daí pensamos nesta temática”, explica Joab Eudes, diretor da encenação.

O espetáculo conta atualmente com o apoio de igrajas locais e dos próprios moradores, que ajudaram a torná-lo uma tradição. O público, em torno de 1,5 mil espectadores, é formado ainda por pessoas de comunidades vizinhas que não só assistem, mas em muitos momentos desejam participar das cenas. “Através da Paixão de Cristo conseguimos sempre colocar alguns temas para discussão, tratamos de racismo, de fome”, destaca Joab.

A apresentação ocorre hoje, às 18h, em frente ao Mercado Municipal de Santo Antônio do Tauá e segue até a Praça Matriz da cidade. (LA)

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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