Feira é sempre sinônimo de movimento, de ponto de encontro, ponto de troca em uma cidade. Em Belém, no mercado do Ver-o-Peso, o significado de “movimentado” fica ainda mais evidente, assim como ali próximo, na Feira do Açaí, local que é o coração da distribuição do fruto amazônico. Para mostrar as relações e o trabalho que acontecem no espaço, é que os fotógrafos Cláudio Ferreira, Otávio Henriques, Yan Belém e Daniel Matos se organizaram as imagens da exposição “Na Beira da Feira”, que abre amanhã na Galeria Theodoro Braga, onde poderá ser vista até 15 de maio.
A mostra conta com 28 fotografias que partem do desejo de comunicar a realidade das pessoas que frequentam e ganham a vida na feira. Por isso, a montagem também inclui uma ambientação diferente, com direito a paneiros e áudios originais de quem circula pelo local – com sons de gritos, conversas e movimentos. Tudo para fazer com que o visitante se sinta e se reconheça em uma feira de verdade.
“Quem for visitar a nossa exposição coletiva vai sentir na pele o que é estar numa feira. Vamos simular os detalhes e as nuances. A tipografia será toda feira com paneiros. O público pode esperar um trabalho feito com muito carinho e profissionalismo”, afirma o fotógrafo Cláudio Ferreira.
O transporte na chegada dos barcos (Foto: Otávio Henriques)
Movimento na madrugada (Foto: Cláudio Ferreira)
NO VAIVÉM
A exposição é o resultado de dois anos de trabalho dos fotógrafos. Durante esse tempo, eles foram diversas vezes à Feira do Açaí no período da madrugada, entre as 3h30 e as 6h da manhã, período em que é maior o movimento no local.
Entre os registros, situações que fazem da Feira do Açaí um lugar único, como a circulação do fruto, desde a sua chegada ao porto, descarregamento até o abastecimento dos carros dos batedores.
“A feira é viva na madrugada, por isso escolhemos esse horário para trabalhar. O movimento era constante. Se fôssemos às 11h da manhã, não encontraríamos mais nada no local. Já éramos conhecidos pelos trabalhadores, não tínhamos medo de andar por lá, eles mesmos nos protegiam”, lembra Cláudio Ferreira.
(Lucas Muribeca/Diário do Pará)
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