As vaquinhas coloridas já conhecidas da intervenção urbana “Cow Parade” voltaram às ruas de São Paulo esta semana, com 40 artistas que representam cada cidade por onde o movimento já passou. Entre elas, Belém. A selecionada para pintar a representante paraense foi a artista Moara Brasil, que foi além das tintas e propô uma instalação sonora em sua vaca. Com músicas de 18 intérpretes e compositoras paraenses, ela quis fazer uma homenagem à música da sua terra natal.
Cada uma das homenageadas - Natália Matos, Keila Gentil, Gaby Amarantos, Lucinnha Bastos Dona Onete, Marisa Brito, Lia Sophia, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Francis Dalva, Juliana Sinimbú, Fafá de Belém, Sammliz, Luê, Aíla, Iva Rothe, Camila Honda e Gina Lobrista - teve seu rosto estampado na vaquinha com grafite e colagem, dentro de estrelas, uma alusão à famosa calçada da fama de Hollywood. A obra ficará exposta no Shopping Eldorado, na Zona Oeste da capital paulista.
“Além do meu trabalho com artes visuais, estou buscando fazer outros tipos de obras, como as instalações, que permitem uma experiência sensorial, não só da imagem. Por isso, fiz também uma espécie de bolsa que essa vaca carrega com uma corda, de MDF, e dentro coloquei um celular que vai tocar as músicas dessas cantoras, pelo Spotfy offline. É algo mais pop mesmo, tem até purpurina, diferente do que venho fazendo”, explica Moara Brasil.
Ela diz também que até tentou falar com outras artistas, mas o processo de liberação e autorizações das músicas que seriam usadas foi complicado. Após ser alertada que deveria comunicar ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) sobre o uso das canções, ela foi para cima e para baixo para conseguir viabilizar a obra. Após solicitar a todas as participantes a devida autorização, o Ecad não reconheceu os documentos. Moara admite que não sabia como proceder no caso, mas também não obteve orientação, o que a fez gastar tempo demais a esse procedimento.
“Foram mais de 15 dias e não imaginava isso. Fui me informar e eles mesmos (Ecad) não conseguiam explicar como eu deveria proceder. Falei que precisava com urgência e já tinha recolhido as autorizações de direito de imagem e da música, e eles não aceitaram, mas não me disseram qual era o modelo. Me orientaram a falar com a associação de cada cantora, e quando fui falar com as associações, os responsáveis disseram que o Ecad estava equivocado e que eles deveriam resolver”, comenta a artista, referindo às entidades que representam as artistas para a arrecadação de direitos autorais.
Passando de um a outro, foi um post no Facebook e o departamento de rádio do Ecad que a ajudaram a resolver a situação, propondo o uso do Spotffy offline para gerar as músicas. Agora, os sons do Pará estão na rua em São Paulo.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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