Completando 10 anos, o Sesc Amazônia das Artes está de volta. O projeto é conhecido por envolver artistas dos nove estados da Amazônia Legal, mais um estado convidado - este ano, o Piauí. Em Belém, o evento começa hoje, com o show da banda Três Matutos e Um Arigó (TO). E segue ainda este mês com o espetáculo de dança “Esses Pessoa”, do Grupo Diamond Crew (MT); o espetáculo “Romance D’amores Além-mar nos Sertões de Dentro”, de Vagner Ribeiro e Grupo Valor (PI); e “As Três Fiandeiras”, dos grupos Xama Teatro e Petite Mort (MA). As apresentações ocorrem sempre às 19h, com entrada franca.
Outras atrações e atividades norteiam a programação deste mês na capital paraense. Os grupos Petite Mort e Xama Teatro, por exemplo, aproveitam a estadia na cidade para também ministrar a oficina “Tecer e Narrar: escritura do corpo e escritura do texto”, na qual apresentam os processos de criação do texto e da cena do espetáculo “As Três Fiandeiras”. “A escritura do corpo diz respeito ao modo como o corpo-voz se apresenta na cena, o modo como o ator-contador compõe ritmos, dinamismos, ações e integra voz e presença”, explica Igor Nascimento, que assina direção e dramaturgia.
“As Três Fiandeiras” gira em torno do desafio de três atrizes-personagens – Beatriz, Isadora e Isabel – em transformar um espetáculo que foi um fiasco de bilheteria em uma nova produção. O fazer teatral e a história pessoal das atrizes se juntam às narrativas das rendeiras Das Dores, Chica e Zezé. A história da mãe de Ribamar - Chica, uma rendeira que é mãe de um filho que saiu para pescar em alto mar e não retornou - se entrelaça com o desafio das atrizes: é preciso ir buscar o filho desaparecido assim como é preciso montar um novo espetáculo.
Ao longo desses dez anos, já circularam pelo Sesc Amazônia das Artes projetos de diferentes linguagens. Foram mais de 30 exposições, 81 espetáculos, 46 shows, 36 obras audiovisuais, 12 obras em literatura e quatro trabalhos em performance/intervenção urbana. Nesta edição, mais uma vez, o olhar amazônico, muitas vezes desconhecido do público, pelas dificuldades geográficas e de logística das grandes capitais, se encontra vindo de diferentes partes, em diferentes linguagens.
A banda que inicia o Amazônia das Artes, Três Matutos e Um Arigó traz música instrumental produzida no Tocantins, em que une ritmos populares como forró, baião, maxixe, xote com a linguagem do jazz. O grupo conseguiu conquistar o público e crescer na cena instrumental, dentro e fora do Tocantins, de uma forma alegre e criativa.
E se tem música, também tem dança. O espetáculo “Esses Pessoa” vem do Mato Grosso para demonstrar à sociedade que as danças urbanas não ficam diminutas a outras representações artísticas. O grupo empresta uma fração biográfica de um mestre da literatura: “Fernando Pessoa, mais conhecido por ‘Pessoa’. Singular e complexo”.
Do Piauí, chega o espetáculo “Romance D’amores Além-Mar nos Sertões de Dentro”, do músico Vagner Ribeiro e Grupo Valor (PI), trazendo como roteiro as andanças de um poeta que vende folhetos de cordel em feira, onde recita e narra histórias fantásticas de amor, sabedoria popular, filosofia de caboclos e profecias de um mundo de paz através dos livros de cordel. Ele faz uma viagem pela literatura brasileira, notadamente resultado de pesquisa dos romances em cordel e da oralidade na poesia, contos e contação de história.
(Laís Azevedo/Diário do Pará
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