
Wagner Almeida ganhou o 2º lugar no prêmio nacional Conrado Wessel, um dos mais importantes do Brasil. (Foto: Wagner Almeida)
Mesmo nos cenários de guerra, o fotojornalismo costuma surpreender. Muitos fotógrafos pelo mundo já conseguiram imagens que não apenas retratavam o conflito, mas fizeram emocionar, tocar a alma. E no dia a dia da cobertura policial? Como pensar e produzir imagens que estejam além da frieza da pauta cotidiana? O fotógrafo paraense Wagner Almeida pensa sempre nisso. E foi a partir das pautas do caderno Polícia, do DIÁRIO DO PARÁ, que Wagner criou o ensaio “Luz Vermelha”, anunciado, na última semana, como um dos grandes vencedores do prêmio Conrado Wessel 2017, um dos maiores prêmios anuais de arte e cultura do País.

(Foto: Wagner Almeida)
O fotógrafo foi agraciado com o segundo lugar na premiação. A produção foi feita ao longo do ano de 2016, durante a cobertura policial do jornal, onde Wagner trabalha há 9 anos, 5 dos quais dedicados a fotografar a chamada ronda policial. Para compor esse trabalho, Wagner focou desta vez não nas vítimas, mas nas pessoas que se aproximam para observar a cena do crime, situação comum em qualquer cenário de morte nos bairros da periferia.

(Foto: Wagner Almeida)
Em suas palavras, o fotógrafo diz que tentou captar ao máximo o que estaria por trás de cada expressão, que para ele não se trata apenas da mera curiosidade. “Será que diante da morte violenta o observador faz uma análise reflexiva de sua própria existência, ou é pura curiosidade mórbida e sem significado algum? A morte vira um assunto para se comentar durante os próximos dias? Uma reflexão sobre a própria vida?”, questiona. “De que forma isso impacta e modifica a rotina de quem se atreve a ficar de frente para esse cenário?” O próprio observador diz que, em muitos momentos, como fotógrafo, também se sentiu parte da cena observada por quem estava ali.

(Foto: Wagner Almeida)
Segundo ele o mais difícil foi selecionar as 12 imagens para participar do ensaio. “De um trabalho de um ano, esse é o processo mais difícil, mas tentei chegar a um resultado com uma composição que de certa forma conta um pouco desse enredo sobre a violência e o que se observa sobre ela”, diz. Aos 35 anos, essa é a segunda premiação de Wagner, que em 2013 foi vencedor do prêmio “Diário Contemporâneo de Fotografia”, com o ensaio “Livrai-me de todo o mal”, também feito na ronda policial.

(Foto: Wagner Almeida)
FAMÍLIA
Os prêmios são o reconhecimento a uma vida dedicada à fotografia, com a qual Wagner envolveu-se ainda menino, aos 12 anos de idade, ajudando os pais Waldemir Almeida e Angela Nascimento, que eram fotógrafos. Com o pai, ele aprendeu a manusear as câmeras mais complexas. Com a mãe, que tinha um estúdio de fotografia 3x4, Wagner aprendeu a usar a luz e também a lidar com as pessoas durante o processo de fazer as imagens. “Profissionalmente cheguei ao mercado da fotografia por meio do meu tio, Everaldo Nascimento, irmão da minha mãe, que também é fotógrafo”, afirma. “A fotografia faz parte da minha história de vida e da minha família, e isso é muito importante para mim”.
(Cléo Soares/Diário do Pará)
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