No final de década de 1950, Cláudio Bittencourt avistou Graça numa janela, na antiga avenida Independência - hoje Magalhães Barata. E assim encantou-se pela jovem de apenas 17 anos. Decidido de sua intenção, a procurou e conheceu sua família. Em apenas oito meses, noivaram e casaram. E a união é longeva: já dura 65 anos. Mesmo bastante idosos, eles relembraram momentos de toda essa trajetória de vida à jornalista e colunista do DIÁRIO, Carmem Souza, e sua filha, a também jornalista Ingrid Souza, autoras do livro “Ode ao Amor”, que terá seu segundo volume lançado nesta terça-feira, às 19h, no Shopping Boulevard, em Belém.
A história do casal é uma das 29 narrativas de encontros amorosos da sociedade paraense que compõem a obra, com personagens diferentes daqueles que as duas ouviram no primeiro volume do livro, quando registraram os encontros de 33 casais.
Desta vez, Carmem passou a escrever mais - missão antes destinada à Ingrid - em vez de se deter nas entrevistas. Ela diz que isso é fruto da confiança depositada em si e da credibilidade conquistada ao longo de muitos anos como colunista social. “A gente não consegue entrar na vida das pessoas do dia para noite, é uma confiança que consquistei e quis transformar em livro. É uma experiência que veio com um antigo colega de trabalho e é gratificante demais ouvir e escrever essas histórias, rir e chorar. Para mim, é um momento de extrema emoção. Os próprios casais se emocionam quando leem. É muito gratificante”, diz Carmem Souza.
Para Ingrid Souza, o segundo volume do livro vem aprimorado, já que a experiência do primeiro trouxe alguns parâmetros para a jovem escritora. Jornalista como a mãe, ela foi em busca de conhecimentos literários para aprimorar as técnicas de escrita, e suas inspirações nesse percurso foram os americanos Ernest Hemingway e Truman Capote, expoentes do jornalismo literário.
Apesar de estar na segunda publicação, ela também ainda não se considera escritora. “Parei para pensar sobre escrever, sobre a parte literária, e me dei conta que já era o segundo livro lançado, por mais que seja independente. E isso começou a passar pela minha mente, será que posso me considerar escritora? Ainda não concluí o que acho. Mas me interessei muito mais pela literatura, encontrei autores que escrevem sobre a vida real, como o Capote, e transformam a linguagem. Descobri minhas paixões para saber como escrever melhor”, diz a jornalista.
Desse mergulho nas histórias de amor de tantos casais, Ingrid diz ter também observado o que estava sendo dito além das palavras. Gestos, entonações da fala, olhares… tudo o que não é dito explicitamente ela usou como recurso para aprimorar os textos, dando ênfase às emoções dos entrevistados ao falar de momentos especiais de suas vidas. Além disso, boa parte do que ouviu serviu de experiência também e de ensinamento para
as suas relações.
“Esse casal de que acabamos de falar tem 65 anos de casados. A dona Graça me disse algo surpreendente, que depois fez muito sentido. Ela disse que o essencial em um casamento é ter uma vida leve. Eles fazem o que os jovens não fazem, sem ter excessos de cobrança ou preocupação. Sempre souberam que tinham que levar uma vida ‘carpe diem’ e eles escolheram a simplicidade. E é a isso que eles atribuem o fato de estarem casados por tanto tempo. Eles têm o hábito de reunir toda a família em almoços e jantares. Devem ter muita felicidade de ver que o amor deles gerou tantos outros amores”, diz Ingrid Souza.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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