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Alunos de escola pública fazem exposição

Apercepção de personalidades, emoções e histórias que estão por trás das expressões faciais registradas em P&B. Foi com esse intuito que cerca de 80 alunos da Escola Estadual Profº Cornélio de Barros, no bairro da Marambaia, em Belém, apresentaram ontem a

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Apercepção de personalidades, emoções e histórias que estão por trás das expressões faciais registradas em P&B. Foi com esse intuito que cerca de 80 alunos da Escola Estadual Profº Cornélio de Barros, no bairro da Marambaia, em Belém, apresentaram ontem a “I Mostra Fotográfica”. O trabalho desenvolvido ao longo de duas semanas pelas turmas de 1º ano da instituição foi inspirado na análise iconográfica do “VIII Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia”, que tem uma programação educativa que liga as escolas à produção fotográfica.

Esta é a quarta vez que os alunos da instituição visitam as exposições do projeto realizado pelo jornal DIÁRIO DO PARÁ. “A gente ganha um dia de visita e o próprio projeto disponibiliza o transporte. Uma iniciativa louvável”, destaca o professor. A última visita ocorreu em maio passado e culminou com a composição artística produzida pelos próprios estudantes, sob a coordenação do professor de Artes Visuais José Carlos Silveira. O resultado do trabalho iconográfico desenvolvido a partir do “Prêmio Diário” impressionou o educador, já que impactou e estimulou os alunos a transmitirem seus olhares sobre cada pessoa impressa nas mais de 80 fotografias.

Silveira ressalta que os estudantes sempre fazem uma atividade após visitarem as exposições. Antes de terem essa oportunidade, a maioria deles nunca havia tido nenhum tipo de contato com trabalhos artísticos. “O projeto do DIÁRIO é de extrema importância, porque o aluno sai da sala de aula para visitar uma galeria e vivenciar a arte”, elogia o professor.

Foi assim com Robert Lima, 15 anos, aluno do 1º ano do Ensino Médio, que teve no “Prêmio Diário” a oportunidade de ver de perto uma exposição de arte pela primeira vez. Para compor a mostra na escola, o jovem escolheu fotografar a sobrinha Nicole Sofia, 10 anos, e explicou o motivo: “Ela é muito feliz no seu dia a dia. Quis retratar isso e descobri que a foto não é só uma imagem, mas a expressão das pessoas”, descreve.

Já Sara Souza, 15 anos, fotografou a prima Ana Miranda e acredita que conseguiu representar na imagem a amizade e harmonia que elas têm entre si. “Achei o projeto muito interessante e importante. Hoje os jovens não valorizam a arte. E na galeria a gente conhece a história da cidade, a nossa história”, frisa.

Os estudantes tiveram liberdade de criar seguindo apenas duas orientações da curadoria do professor: explicar quem é a pessoa retratada e a história daquela fotografia. As imagens em P&B foram captadas pelas lentes das câmeras dos telefones celulares dos alunos.

“A ideia era registrar a personalidade daquele rosto. Pedi para eles explicarem qual sentimento transmitia, se era melancolia, alegria ou tristeza”, sintetiza Silveira, acrescentando que o trabalho serviu para despertar em alguns alunos a vontade de levar a fotografia como profissão - mais um bom resultado impulsionado pelo contato desses jovens com a arte, impulsionado pelo “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia.

“Ponta da Areia” (1988), de Luiz Braga, é um bom exemplo de como a imagem pode ajudar a compreender os modos de vida e estéticas articuladas na e para as diversas “Amazônias” (Foto: Luiz Braga)

Palestra aborda estética amazônica

O “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia” encerrará a sua agenda de convidados desta 8ª edição com a palestra “Diálogos sobre Artes Visuais e Amazônia(s)”, do professor e pesquisador John Fletcher. A programação será realizada amanhã, 30, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, com entrada franca. A mediação será de Marisa Mokarzel.

Segundo John, “a palestra buscará elencar eventos, artistas e obras para propor uma compreensão sobre modos de vida e estéticas articuladas na e para as Amazônias”. “Para tanto, vamos discutir algumas das bases conceituais da produção artística em Belém, como se deu o desenvolvimento, maturação e desconstrução destas bases conceituais para, então, fornecer alternativas de compreensão sobre regimes de historicidades próprios, com seu fluxo de visibilização de culturas, de suas autenticidades e vitalidades”, antecipa.

Investigações e um olhar crítico sobre as transformações artísticas nas múltiplas Amazônias será o foco do encontro com o público. A palestra antecederá o encerramento da mostra deste ano, no dia 2 de julho, que tem como tema as “Poéticas e Lugares do Retrato”, e exibe desde o retrato tradicional até as experimentações que expandiram os significados dessa representação artística. Além disso, a mostra “Interiores” apresentou, nas fotografias de Geraldo Ramos, artista convidado, as diversas paisagens e pessoas que formam a região Amazônica.

SOBRE o palestrante

John Fletcher é Doutor em Antropologia pelo PPGA/UFPA e Mestre em Artes pelo PPGArtes/UFPA. Durante o Doutorado, realizou estudos e pesquisas na Universidad del Cauca, em Popayán, Colômbia, com extensão nas cidades de Santiago de Cali e de Medellín.

Possui pesquisa a qual envolve Arte Contemporânea Paraense, Teoria Antropológica, Antropologia Visual e Pós-Colonialismo. Atualmente é Professor da Universidade Federal do Pará/UFPA, vinculado à Faculdade de Artes Visuais.

(Pryscila Soares e Debb Cabral/Diário do Pará)

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