No interior do Pará, o jovem jornalista Léo, vai em busca de informações para uma reportagem sobre as lendas da Amazônia. Por lá, se encanta pela beleza das caboclas ribeirinhas e encontra as poesias contidas nas histórias contadas pelo seu Waldemar, além dos causos descritos pelos pescadores e caçadores dos rios e matas da região.
A ação é do espetáculo “Eu Juro Que Vi”, produzido por Sandy Moreira e dirigido por Fernando Matos, que será apresentado neste domingo, às 18h, no teatro Margarida Schivasappa. No elenco, os alunos do 1º módulo da Fábrica de Emoções, escola que trabalha na formação de atores em Belém.
O texto, também escrito por Fernando Matos, é uma homenagem ao Maestro Waldemar Henrique e é costurado pelas canções do compositor, ao passo que vão sendo contadas, pelo caboclo Waldemar, histórias como a da Matinta Perêra, do Boto, do Curupira, entre outras, num espetáculo feito para toda a família.
Para o assistente de direção Phellippe Marques, mesmo que o espetáculo trate da cultura amazônica e faça o resgate e a homenagem a um dos maiores ícones da cena artística paraense, a produção não se torna mais simples para quem está em cena e para quem fica nos bastidores, como ele. “O desafio do ator é transformar as situações, sejam cômicas, explanativas ou dramáticas, em arte. É a união da vivência e da experimentação teatral com as técnicas de atuação. O desafio maior é equilibrar emoção e técnica e produzir arte através de cada movimento, expressão e emoção vivida em cena”, explica Phellipe.
Uma missão que Jairo Monteiro, intérprete de seu Waldemar, leva muito a sério em cena. Sobre o personagem, um caboclo que já vivenciou muitas histórias, ele diz que o público ficará instigado a pensar se são apenas contos ou se surgem da experiência e das vivências desse senhor. “Isso nada mais é do que a realidade vivida por muitos paraenses, principalmente da capital. Nós sabemos de muitas lendas através de conversas com moradores de cidades interioranas, porém fica aquela dúvida se é verdade ou não, e a partir do momento em que personagem Léo vai apurar essas histórias, ele não só ouve como também presencia tudo”.
Com uma carreira de mais de 40 anos no teatro, 22 deles somente no Grupo Encenação, Fernando Matos já dirigiu espetáculos como “O Uirapurú”, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, “A Bela e a Fera”, “Cinderela”, “O Sítio do Picapau Amarelo”, “Peter Pan”, “Cabanos” e “O Noviço”. Para ele, ainda é necessário o fortalecimento das artes cênicas em Belém, algo que só vai acontecer com mais produções locais nos teatros, e com mais parcerias. “Os grupos de teatro, com os seus trabalhos, necessitam de apoio, de local para suas apresentações, de estudos sobre montagens. Mas é importante a união desses grupos para assim buscar os seus espaços junto à sociedade”, acredita.
(Diário do Pará)
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