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Arte para superar a tristeza

À melancolia contida em fotografias de jornais e revistas, em rostos comuns, o artista plástico Petchó Silveira adiciona seus traços, pichos, tintas, grafitagens. Ele tem a pintura como uma forma de intervir na tristeza da imagem, não para escondê-la, e s

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À melancolia contida em fotografias de jornais e revistas, em rostos comuns, o artista plástico Petchó Silveira adiciona seus traços, pichos, tintas, grafitagens. Ele tem a pintura como uma forma de intervir na tristeza da imagem, não para escondê-la, e sim para potencializá-la. Sobre o ofício, cita o pintor brasileiro Iberê Camargo, conhecido por disparar a afirmação: “Pinto porque a vida dói”. É essa espécie de antirretrato que ele apresenta na exposição “Retratos Imaginários”, aberta na Galeria Azimute, no espaço Vila Container, em Belém. A entrada é gratuita.

A escolha pela temática vem da própria realidade de Petchó, morador da baixada do Marco, como ele diz, onde são recorrentes cenas de crime e violência urbana. Ele lamenta, com arte. “A exposição é uma reflexão sobre a fragilidade e efemeridade da vida. Uma vez uma professora me perguntou o porquê de eu pintar uma mulher chorando. E respondi dizendo que é um sentimento que me comove, me chama atenção. Quando a gente vê alguém chorando na rua, nos tocamos. Penso como às vezes o ser humano se acha tão importante. É tudo passageiro”, diz o artista.

Petchó já participou de algumas exposições coletivas, mas esta é a sua primeira mostra individual -que mostra o amadurecimento de sua linguagem e técnica, ao longo desses anos. “Retratos Imaginários” é a sublimação da sua experiência de vida, em que ele se apropria do que já existe para criar seu próprio discurso pictórico.

A chegada de Petchó à pintura e ao mundo da arte foi pela pichação. Lá pelos 13 anos, ele queria se expressar de alguma forma, dizer o que sentia, e pela adrenalina da transgressão começou a pichar. Mas a curiosidade pela prática artística fez com que ele buscasse compreender outras linguagens e sua formação se deu nas oficinas da Fundação Curro Velho, com nomes como Elieni Tenório, Jocatos e Acácio Sobral. Em 1999, ele ganhou o primeiro lugar no Salão Primeiros Passos, do Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU).

“Mesmo com o contato com a arte acadêmica, não perdi a minha essência como artista que veio da rua e tentei colocar isso também nessa exposição. Não adotei uma veia figurativa, não sou um retratista, que faz algo retratando com fidelidade a realidade. O meu trabalho é o que vivo, falo do que vivo. O artista tem que ser verdadeiro consigo mesmo. Senão a arte dele não tem sentido”, completa Petchó, apelido de adolescência que ele adotou para a carreira artística.

“Vim de uma arte marginalizada, que sofre um preconceito grande. Mas o picho é arte, é uma forma de manifestação, mesmo à margem”, comenta Petchó

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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