
Belém recebe temporada de espetáculo concebido de forma virtual por bailarinos que não se conheciam (Foto: Divulgação)
Realizar um trabalho artístico à distância, a partir das conexões das redes sociais, com desconhecidos, não deve ser a melhor maneira de se conceber um projeto. Mas o artista Marsal Rodrigues queria saber exatamente o que do encontro inusitado poderia surgir. Assim, há sete anos ele lançou uma chamada para quem desejasse começar a elaborar algo a partir dessa interação virtual. Encontrou as também artistas Priscila Patta e Andrea Krohn, que estavam fora do país, e juntos criaram o espetáculo de dança “Tapiocatouch”, que será apresentado nos próximos dias 11 e 12, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, em Belém. A entrada é gratuita.
“A pesquisa se resume em transformar a questão física na questão digital, a partir do que a gente se envia e como isso se transforma em algo físico. Isso vira uma construção de linguagens e signos, tendo a tecnologia como suporte e processo, mas não como resultado final, já que não é algo tecnológico, mas de dança e teatro a partir da experiência do uso da tecnologia do cotidiano”, explica Marsal Rodrigues, diretor do espetáculo.
A palavra tapioca foi escolhida para simbolizar, na distância, a unidade do grupo, o fato de serem brasileiros, e “touch”, em português “tocar”, para representar o movimento de encontros - mesmo que mediados pela interface tecnológica. Esse foi o grande desafio proposto por Marsal a si mesmo e aos demais.
Ele diz que não se trata de um trabalho convencional e que tem se alterado a partir dos encontros com demais pessoas ao longo desse percurso.

Tecnologia é suporte de espetáculo que une bailarinas sob direção de Marsal Rodrigues (Foto: Divulgação)
“Já tinha feito trabalhos com pessoas que se conheciam, mas apostei na busca por pessoas que não se conheciam, e duas delas responderam. Nenhum de nós três nos conhecíamos, mas começamos a fazer o trabalho e estreamos em Berlim, em 2014, e só nos conhecemos pessoalmente lá. Essa é a tônica e a origem do trabalho. Eu sou de Porto Alegre, a Andreia é paulista e a Priscila é mineira. O que nos uniu foi isso e falar dessa brasilidade”, comenta Marsal Rodrigues, também responsável pelo cenário e figurino.
Em Belém, as apresentações vão contar com a participação do grupo Umdenos. O trio já passou por Porto Alegre, Berlim, São Paulo, Budapeste, Belo Horizonte, Montevidéu, Uberlândia e Palmas. “O que determina é a disponibilidade física em fazer isso. É uma escolha que a pessoa faz. Estamos fazendo essa turnê Norte e nordeste e tem convidado que a gente não conhece e que mesmo assim quis participar. É uma abertura corporal, tem que estar disponível para o que o outro corpo determina”, completa.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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