Itinerante e sem um formato totalmente fechado, o Festival Latinidade chega à sua última edição, com três noites de música – hoje, quarta e quinta -, na Estação das Docas. A programação começa sempre às 18h, com “Discotecagem Latina ao Por do Sol” do DJ Azul, seguida de shows de Félix Robatto, com participação da Guitarrada das Manas, Bruno Benitez e Mundo Mambo, com participação de Nego Nelson e ainda um show inédito do Pinduca.
“Eu acredito que vai ser uma surpresa pra o público. Quando anuncia Pinduca, se espera logo carimbó. Dessa vez, será um show misto porque acho que, dos paraenses, quem mais gravou música latina fomos nós”, adianta o próprio músico.

Pinduca apresentará um show misto, mostrando além de seu carimbó, músicas latinas. (Foto: divulgação)
Assim, para cada carimbó, espere também por clássicos como a versão dele, “Cavalo Velho”, para a música venezuelana “Caballo Viejo”, de Simón Díaz. No festival, Bruno Benitez foi convidado pelo rei do carimbó para fazer um dueto espanhol-português da canção.
“Quando a gente chamou o Pinduca para o ‘Latinidade’, ele falou: ‘vou então dar uma latinizada no meu show’. Ele regravou (ao longo da carreira) muitas músicas do cancioneiro latino, com pegada de lambada, merengue, cumbia. Há muito tempo ele queria fazer algo assim e quando surgiu a proposta do festival, ele aproveitou. Em ‘Caballo Viejo’ a gente vai fazendo esse ping pong que é cara do festival. Aconteceu meio por acaso, mas será uma tremenda honra e um grande momento para a minha carreira cantar com o grande embaixador da música paraense”, elogia Benitez, criador do festival.
Pinduca explica que a particularidade da música feita por ele, de sonoridade latina, em diálogo com o Caribe e o norte da América do Sul, vem das condições em que cresceu. “Antigamente, aqui só tinha uma emissora de rádio. Porque o espaço estava vazio por ter só uma emissora, as pessoas compravam rádio com alcance para sintonizar as rádios latinas. Depois das cinco da tarde, era só o que a gente ouvia. Desde que me entendi como músico sempre estava escutando música latina. Me acostumei e por isso conheço e toco várias”, diz ele.
Outra particularidade desses ritmos e que sempre incentivou o músico a incluí-los em seu show foi o aspecto dançante. “Eu não gosto de show em que a pessoa fica me olhando sentada. Gosto de ver a pessoa dançar. Gosto mesmo. Nesse show, acho que o público não vai se aguentar parado não”, diz ele, que planeja ainda a inclusão de lambadas e comacheras.
Com 38 discos gravados, em 44 anos de carreira, shows por quase todo o Brasil e apresentações na América Latina, África e Europa, além de ter produzido e dirigido diversos cantores e cantoras, como Ted Max, Francis Dalva, Alípio Martins e Beto Barbosa, o rei do carimbó é atração no segundo dia de festival, quarta-feira, às 19h, com entrada franca, como ocorre em todas as noites do evento. “Depois que completei 80 anos, começaram a me chamar pra fazer show em tudo que é lugar. Acho que é aquela historia do ‘quanto mais velho melhor’”, brinca Pinduca.

Bruno Benitez faz participação no show de Pinduca, nesta quarta-feira (12), e toca com o Mundo Mambo na quinta-feira (13). (Foto: divulgação)
MAIS RITMO
Os shows do festival iniciam às 19h30. Hoje, o show é do guitarrista e percussionista Félix Robatto. Ele é fundador da banda La Pupuña, produtor do primeiro CD de Gaby Amarantos e do novo CD da cantora Lia Sophia. Lançou dois discos. Em 2015, “Equatorial, Quente e Úmido”, que apresenta a música latino-amazônica e “Belemgue Banguer”, em 2016, resultado de uma pesquisa sobre as origens da lambada.
GUITARRADA E SALSA PARA NINGUÉM PARAR
No Festival Latinidade, Félix Robatto faz um passeio pelo seu trabalho autoral, com músicas de seus dois discos e composições do grupo La Pupuña, do qual ele fez parte. Ele convida ainda duas musicistas da nova geração: a guitarrista Renata Beckman, que também atua na Orquestra Pau e Cordista de Carimbó, e a multi-instrumentista Beá Santos, que compõe o projeto Guitarrada das Manas, o primeiro grupo de guitarrada formado só por mulheres.
“O festival foi concebido de forma a agregar trabalhos da nossa cena musical que têm influência na musicalidade latina. É uma missão selecionar só alguns, difícil abarcar toda a pluralidade que existe aqui”, comenta Bruno Benitez, que tem colaborado com a MM Produções, idealizadora do festival, em todas as suas edições. “Não é um festival para contribuir como marco para os artistas. Acho que o que aconteceu no Latinidade é que os artistas, com sua música, é que estão contribuindo para o festival ter outras edições”, avalia.
O encerramento ocorre na quinta-feira, 13, com a apresentação do Mundo Mambo, que vai receber no palco o violonista Nego Nelson. O grupo explora tanto a salsa tradicional quanto as fusões com ritmos paraenses e é formado pelo próprio Bruno Benitez (percussão, guitarra e voz), Josibias Ribeiro (trombone), Harley Bichara (sax e flauta), Daniel Delatuche (trompete), Bruno Mendes (percussão), Davi Benitez (piano) e Beto Taynara (contrabaixo).
“Nego Nelson é um cara que esteve presente em vários momentos importantes da música paraense. E vamos aproveitar o festival para tocar junto com a Mambo duas inéditas, uma delas chamada ‘Bem Benitez’, música que a gente fez junto e nunca conseguiu tocar ou gravar juntos”, conta Benitez. E a oportunidade será mesmo única. O festival, que iniciou em março e conta com incentivo da Lei Tó Teixeira e patrocínio da Unama, tem nesta semana sua última edição este ano.
PROGRAMAÇÃO
Festival Latinidade
Quando: hoje, amanhã e quinta, a partir das 18h, com início dos shows às 19h30.
Todos os dias: DJ Azul
Hoje: Feliz Robatto, com participação da Guitarrada das Manas
Quarta: Pinduca, com participação de Bruno Benitez
Quinta: Mundo Mambo, com particpação de Nego Nelson
Onde: Estação das Docas (Boulevard Castilhos França, s/n, bairro da Campina)
Quanto: entrada franca
(Lais Azeved/Diário do Pará)
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