Os queijos artesanais são fabricados geralmente em pequenas fazendas e com processos mais tradicionais, utilizando muitas vezes como matéria prima o leite não pasteurizado, ou seja, o leite em seu estado mais natural. Isso gera o que alguns chamam de queijos finos, preparados a um custo maior, em pequena escala, mas que proporcionam sabores e experiências únicas. Em países como França e Espanha, eles são parte da cultura nacional. Por aqui, ainda existe uma vasta produção desconhecida, mas um público que pode facilmente se apaixonar por novos sabores. Isso é que mostra Danyella Colares, do QJO Boutique de Queijos Artesanais.
Ela e o namorado, Thiago Eluan, contam que foram oito anos morando na Espanha e na Inglaterra, viajando o mundo provando diferentes tipos de queijos antes de decidir abrir a loja visando valorizar a produção artesanal brasileiros. “Nossa vontade era mostrar que o Brasil produz muito queijo de qualidade, premiado lá fora, que as pessoas não conhecem. Para nossa surpresa, vimos que há um número enorme de pessoas apaixonadas por queijo e querendo descobrir com a gente. Viajamos o Brasil inteiro, conhecemos os produtores e trazemos os queijos que achamos legal”, conta Danyella. O casal faz parte do movimento slow food, que defende uma maior apreciação da comida, a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. Assim, não vendem nada industrializado, com conservantes, e costumam conhecer detalhadamente a produção de cada queijo. “Primeiro de tudo, ele tem que ser artesanal. Queijo é um organismo vivo, cada peça é única. A gente tem um queijo que os fazendeiros que cuidam é o marido, a mulher e a filha, e vão com uma lupa todo dia olhar como cada queijo está, se tem fungo novo, a temperatura certa”, diz.
Para ser artesanal, o fazendeiro tem que ter a própria vaca, ter controle desde o que ela come, remédio que ela toma até o queijo que vai para a venda. “O queijo que você compra no supermercado já veio de outro país, congelou, descongelou, congelou de novo, não tem mais a cara inicial dele”, afirma Danyella. Além desse cuidado em conhecer a procedência, outro fator que faz o casal escolher um queijo para levar pra loja é se ele tem um diferencial em sabor. “Gostamos tanto dos tradicionais, como minas, frescal, como também temos um queijo ricota produzido por uma cooperativa de Vigia, que é ótimo pra você tomar com seu café pela manhã, até um banhado em vinho branco para maturação, do Rio Grande do Sul”, enumera.
O casal Thiago Eluan e Danyella Colares trouxe da Europa o desejo de dividir por aqui o amor pelos queijos (Foto: Marco Santos)
Encurtando distâncias
Com um atendimento personalizado, Danyella e Thiago costumam conversar com os clientes sobre as origens dos queijos, seu preparo e ainda dão uma dica e outra sobre como saboreá-los em receitas que vão além da combinação “queijo e vinho”. “Tem uma infinidade de possibilidades”, garante ela. A loja ainda fornece alguns produtos que combinam bem com queijos, como vinhos, licores, geleia, pães e doces. Passam pela loja queijos como o Canastra, declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; o Nova Era, que esconde uma massa clara e macia por trás de uma casca escura e craquelada; e o Santinho, que é um queijo de búfala ótimo para grelhar. E ela ressalta, “os queijos do Pará estão sendo uma surpresa maravilhosa”. Isso porque as pessoas não conhecem muito da produção local e a loja se tornou uma ponte para novidades. “Elas conhecem o do Marajó, aquele que compram na estrada, e só. Então a gente está com um trabalho legal de mostrar que tem queijo curado (pronto com apenas quatro meses de maturação), queijo búfala defumado, coisas que você não acha facilmente”.
A dupla faz planos de, em parceria com produtores locais, oferecer opções diferentes, com jambu, tucupi e outros ingredientes da região. “Agente já tem o cheddar de búfala e um queijo de vaca com pimenta-do-reino que é produzido em Santa Bárbara, aqui do lado de Belém, e as pessoas não sabem que ele existe”, exemplifica. Ela cita ainda casos como o do queijo Tulha. Feito com leite de vaca, no interior de São Paulo, ele recebeu Medalha de Ouro no World Cheese Awards de San Sebastian, na Espanha, a primeira medalha de ouro internacional par aum produto artesanal brasileiro. “Passou uma reportagem no ‘Globo Rural’, há um mês e meio falando dele e no dia seguinte a loja estava lotada de gente atrás dele”, brinca Danyella. “E é isso, a gente quer, encurtar distâncias entre a casadas pessoas e os queijos do Brasil”, completa.
CONHEÇA
QJO – QUEIJOS ARTESANAIS
Onde: Av. Almirante Wandekolk, 1154, entre Domingos Marreiros e Antônio Barreto – Reduto
Aberto: Terça a sexta, das 14h às 20h; e sábado, das 10h às 13h
Delivery: (91) 3223-9673 e 99942-6462
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar