Em sua estreia, o “Prêmio de Poesia Cruz e Sousa”, realizado pela Editora Do Carmo, de Brasília, teve como seu primeiro vencedor o poeta e professor marabaense Airton Souza, que só nos primeiros meses deste ano já venceu quase dez prêmios literários. Como 1º lugar no concurso, o paraense terá lançado, no início de dezembro, na capital federal, o seu livro de poesia “Pragmatismo das Flores”, ainda inédito. Também serão publicados junto ao paraense, os poetas classificados em segundo e terceiro lugar: Paulo Fusco, com “As Águas e o Vento”, e Witima Santos com “Rios de Silêncios”.
O poema capaz de arrebatar os jurados foi “Dos Dias que Há Dentro de Nós”, em que Airton traz à tona um debate poético em torno da vida citadina, da violência e das condições dos moradores de rua. “Ele recebeu dos jurados a nota máxima”, orgulha-se o autor.
O livro “Pragmatismo das Flores” foi escrito para ser uma homenagem aos pais do poeta, que infelizmente faleceram antes de ver a obra publicada. “A poética do livro foi especialmente produzida para eles e todos os pais e mães no mundo”, afirma Airton, que receberá 100 exemplares da obra.
Escrito entre 2014 e 2015, “Pragmatismo das Flores” era para ser publicado no fim de 2015, para fazer uma supresa aos pais do escritor. Com o falecimento deles, Airton perdeu a motivação. “Quando já estava pronto para enviar o livro para a editora, meu pai faleceu, o que piorou minhas condições emocionais. E depois, em dezembro, minha mãe morreu também. Então decidi não publicar mais o livro”, conta. Ainda assim, em 2015, a obra chegou a receber menção honrosa no 14º Prêmio de Literatura Assabeça, promovido pela Editora Scortecci, de São Paulo. Dividido em três partes – uma dedicação ao pai, outra à mãe e a terceira sendo um diálogo para os dois – “Pragmatismo das Flores” contém mais de 50 poemas.
Laureado
Entre os prêmios vencidos por Airton só este ano, está também o 5º Prêmio SFX de Literatura, que teve o resultado divulgado no início de julho e que recebeu mais de 570 obras inscritas nas categorias Conto e Poesia, vindas inclusive de países como Japão e Portugal. O paraense foi o único a vencer nas duas categorias do certame literário, com o conto “A Biblioteca Está Viva, E Agora?” e com o poema dedicado ao seu pai, intitulado “De Saudades se Fazem os Dias”. A premiação do SFX de Literatura ocorre em agosto, em São José dos Campos, São Paulo.
Antes, ele ainda recebeu o segundo lugar no Prêmio CAPT de Literatura, esteve entre os vencedores do Prêmio Carlos Drummond de Andrade, promovido pelo Sesc e foi primeiro lugar no Prêmio Gente de Palavra, promovido pela Editora Litteris, de São Paulo. Outra menção honrosa foi dada a ele pelo livro infantil “Os Dias Dentro da Saudade”, no 2º Prêmio Letrinhas do Brasil. “Penso, sempre que isso acontece comigo, que já estou indo longe demais com a literatura. Eu nem sei se mereço tanto. Vencer prêmios literários é sempre um grande desafio porque você tem sempre grandes poetas do país inteiro participando. Então eu sempre fico emocionado demais quando isso acontece”, diz Airton.
A literatura como resposta para a pobreza
Há 17 anos dedicando-se à literatura, Airton começou publicando poemas em jornais e revistas. Licenciado em História e também em Letras, atualmente cursa o mestrado em Literatura, pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Com 27 livros publicados, a maioria de poemas, alguns são frutos de prêmios que recebeu ao longo dessa trajetória de 17 anos de escrita.
Sobre seu interesse pela poesia, ele diz que veio da vida. “Fui criado em extrema pobreza e desde jovem ficava me perguntando o que eu poderia fazer para me sobressair daquela situação. Encontrei a resposta na literatura, nos livros, na escrita. De lá até aqui foi uma dedicação diária. Ainda é. Todos os dias leio pelo menos 50 páginas”, diz Airton. O escritor tem ainda colaborado com diversos projetos para fomentar a cena literária de Marabá, que segundo ele, “hoje é a maior que existe
em todo o Estado”.
Ano passado, ele conta que foi possível fazer mais de 60 lançamentos de livros em Marabá, fora os saraus. “Temos hoje o sarau mais conhecido do Pará, o ‘Sarau da Lua Cheia’, do qual fui um dos idealizadores”, diz ele. “Temos o maior projeto de incentivo à publicação independente da Amazônia, que é o projeto Tocaiúnas, pelo qual já foram publicados 45 autores, com mais de 17 mil exemplares vendidos ao valor de R$ 5”. A iniciativa, da qual é também idealizador, conta Airton, “foi pensada para democratizar o livro” e este ano já chega à sua quarta edição.
“Estamos há três anos desenvolvendo trabalhos por aqui, sem apoio de qualquer governo e conseguimos nesse período fazer de Marabá um polo. Pode ter certeza e perguntar para os escritores de Belém, da literatura paraense. Temos hoje aqui diversas instituições que trabalham no processo de incentivo à leitura, ao acesso aos livros e à produção literária”, orgulha-se o escritor.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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