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“Amazônia das Artes” inicia mais uma etapa hoje com música de Rondônia

A 10ª edição do programa “Sesc Amazônia das Artes”, que teve início no mês de maio, inicia nova etapa a partir de hoje, às 19h, com o show percussivo “Sons de Beira”, vindo de Rondônia, e segue até o dia 18, no Sesc Boulevard e pelas ruas da capital parae

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A 10ª edição do programa “Sesc Amazônia das Artes”, que teve início no mês de maio, inicia nova etapa a partir de hoje, às 19h, com o show percussivo “Sons de Beira”, vindo de Rondônia, e segue até o dia 18, no Sesc Boulevard e pelas ruas da capital paraense. O projeto de circulação e intercâmbio entre artistas dos estados da Amazônia Legal e um convidado – este ano, o Piauí – desconstrói a ideia de que não é possível fazer arte e grande circulação fora do eixo Rio-São Paulo, com diversos espetáculos, oficinas e outras atividades, todas gratuitas.

O show “Sons de Beira” é um espetáculo musical percussivo concebido a partir de pesquisas sonoras em ambientes beradeiros, com laboratórios e audições in loco, relatos de ribeirinhos e indígenas e obras de compositores de Rondônia. O conjunto de timbres e ritmos reproduzidos pelos mais diversos instrumentos e outros objetos peculiares do cotidiano amazônico-ribeirinho reproduz as paisagens sonoras de onde vieram e faz o resgate de memórias auditivas de beiras de rios.

Tais sonoridades são executadas pelos experientes artistas Bira Lourenço e Catatau Batera. Bira é percussionista e professor de percussão, tem participações em vários registros fonográficos de compositores de Rondônia, assim como também desenvolveu vários trabalhos associados ao teatro, em pesquisa sobre a dramaturgia sonora. Dedica-se a pesquisar sonoridades peculiares de ambientes naturais e em vivências coletivas na região ribeirinha, além de estudos percussivos com água, instrumentos de barro e objetos desfuncionalizados.

Catatau é baterista e traz de suas origens nordestinas um arcabouço rítmico que explora através da percussão e bateria. Participou, com Bira, da pesquisa que levou ao projeto “Sons de Beira”, assim como Chicão Santos, que cuida da iluminação do show, e Jussara Assmann, que colabora ainda na direção geral. “Esse trabalho evolui dos projetos anteriores do Bira, com dramaturgia sonora, a sonoridade no barro. É fruto de uma pesquisa coletiva e aprimoramos isso com audições, vivências e conversas com ribeirinhos e indígenas”, conta Jussara.

ENCONTRO DE CORDAS

Na quinta-feira, 3, a música fica por conta de Ricardo Nogueira e Elson Arcos que comandam o show “Duo Marupiara”, de Roraima, com toda a sensibilidade do violão e violoncelo. “O nosso duo nasceu de um encontro que tivemos no Sesc Roraima, em Boa Vista, que nos chamou para tocar juntos. Eu já tinha muitas composições e gosto que sejam sempre trabalhadas de forma diferente. Neste caso, será eu ao violão e cantando, e ele no violoncelo. Todas músicas com temática amazônica”, destaca Ricardo.

Ao longo da carreira, o músico levou o seu talento para diferntes projetos, inclusive cinematográficos, como é o caso de “Saga”, música composta para o filme “100 Anos de Roraima” e que conta a história do surgimento de Boa Vista. Já Elson Arcos é professor de música e atuou na Orquestra Jovem da Floresta Amazônica. A parceria entre eles e seus instrumentos musicais é inédita. “As pessoas ficam de boca aberta com o show. A verade é que ficou muito legal o violão com o violoncelo, ficou meio jazzístico”, comenta Ricardo.

CONEXÃO MUSICAL

Na sexta-feira, 4, os dois grupos se encontram no palco do Sesc Boulevard para uma grande conexão musical. Eles se conheceram após apresentações em Teresina, no Piauí, durante a primeira etapa do “Amazônia das Artes” naquela capital. Mas o encontro no palco, juntos, será inédito. “Embora sejamos todos amazônidas e tenhamos algumas particularidades em comum, é legal dialogar porque cada um vem com formações musicais diferentes, instrumentos diferentes, linguagem musical diferente”, comenta Jussara, do “Sons de Beira”.

Para o grupo, os artistas de Rondônia ainda vivem uma busca de identidade, já que são um estado séculos mais recente que outros, como o Pará, e formado por referências que vieram de diferentes partes do país. “Não tem um ritmo de Rondônia. Você ouve uma música de um estilo e é capaz de dizer que é do Pará. A gente está nessa busca e é muito bacana ter essa troca, em que a gente pode trazer nossas influências para dialogar com outras referências amazônicas”, analisa Jussara.

“E é isso a riqueza do projeto [‘Amazônia das Artes’], o intercâmbio para conhecer o trabalho que a gente jamais conheceria se não circulasse. Temos problemas graves no Norte com a divulgação da nossa arte. A gente praticamente não consegue sair da nossa cidade”, comenta também Ricardo.

Outra expectativa mais particular move o músico do Duo Marupiara, e Bira, do “Sons de Beira” - ambos têm um passado com Belém. “Você veja a vida! Morei em Belém de 1975 a 1980, estudava na Escola Técnica [atual Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia] e naquela época tocava um violão, mas não compunha, só curtia muito. Minha expectativa é voltar a Belém, quem sabe encontrar aquela turma da época, mostrar um pouco da minha música para o público de Belém”, diz Ricardo. Já no caso de Bira, o pai se mudou de Belém para Rondônia na década de 1960 e nunca mais voltou. “Ele quer conhecer a cidade de onde o pai veio e ele nunca teve a oportunidade de visitar”, conta Jussara sobre a expectativa do parceiro de projeto e amigo.

Ricardo Nogueira e Elson Arcos unem violão e violoncelo no “Duo Marupiara” na quinta-feira (Foto: Divulgação)

Programação continua durante o mês de agosto

A programação de agosto do “Amazônia das Artes” ainda segue no dia 10, às 10h, com a intervenção urbana “Não Cabe Mais, Gente!”, do in-Próprio Coletivo (MT), na Praça das Mercês. Dia 11, às 19h, tem o espetáculo circense “Se Deixar, Ela Canta!”, com companhia Cangapé (AP). No dia 18, às 10h, tem a intervenção urbana “Existência”, de Maurício Pokemon (PI) e, às 19h, o espetáculo “Sobre Outras Janelas e Portas”, com grupo Aguadeiro (AC).

Paralelamente aos espetáculos, nos dias 8 e 9, o grupo in-Próprio Coletivo (MT) ministra a oficina “Corpo e Luz: Experimentações de Grafias No Espaço”. A proposta é investigar as imagens, grafias no espaço e cenas que surgem a partir dos atravessamentos que a relação entre corpo e luz pode disparar. As inscrições para os comerciários e dependentes vão até sexta-feira, 4, e para o público em geral será de 5 a 8 de agosto.

Já o artista Maurício Pokemon (PI) ministrará, entre os dias 14 e 17, a “Oficina de Fotografia e Colagem”, que estimula a criação e a experimentação coletiva, através de vivências e experiências na rua, observando e retratando cenas urbanas, pensando em como transpor para a colagem final e experimentando técnicas apresentadas na teoria. Cada participante é responsável por trazer sua própria câmera fotográfica, seja profissional ou dispositivo móvel. As inscrições para as duas oficinas são gratuitas e presenciais no Centro Cultural Sesc Boulevard.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

Show “Sons de Beira” (RO)
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Quanto: Gratuito
Classificação: Livre
Informações: (91) 3224-5654

Programação completa

Dia 3
19h - Show Duo Marupiara (RR)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Classificação: Livre

Dia 4
19h - Conexão Musical Duo Marupiara (RR) x Sons de Beira (RO)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Classificação: Livre
Dias 8 e 9
14h às 18h - Oficina “Corpo e Luz: Experimentações de Grafias no Espaço”, com in-Próprio Coletivo (MT)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Inscrições: Comerciários e dependentes até 4 deste mês. Público em geral de 5 a 8 deste mês
Faixa etária: A partir de 16 anos

Dia 10
10h – Intervenção Urbana “Não Cabe Mais, Gente!”, com in-Próprio Coletivo (MT)
Onde: Praça das Mercês (Campina)
Classificação: Livre

Dia 11
19h - Espetáculo “Se Deixar, Ela Canta!”, com cia. Cangapé (AP)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Classificação: Livre

De 14 a 17
9h às 13h - Oficina de Fotografia e Colagem, com Mauricio Pokemon (PI)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)

Dia 18
10h – Intervenção Urbana “Existência”, de Maurício Pokemon (PI)
Onde: Por ruas de Belém
Classificação: Livre
19h - Espetáculo “Sobre Outras Janelas e Portas”, com grupo Aguadeiro (AC)
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523)
Classificação: 16 anos

*Toda a programação tem entrada franca

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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