Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência dos recém-nascidos. Se toda criança fosse amamentada desde o nascimento até os 2 anos, mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente, estimam as entidades. No Brasil, 39% das mães amamentam seus filhos exclusivamente – sem a inclusão de outros alimentos – até os 6 meses de vida. E Dani Moura, do projeto Cegonhas Modernas, confirma: para o sucesso da boa amamentação é muito necessária uma rede de apoio.
“Quando o bebê nasce, chora por vários motivos e muitas vezes na própria família as pessoas vêm dizer: ‘ah, teu leite é fraco’, ‘não sabe amamentar direito’. A gente mostra que mãe e bebê precisam dessa rede para dizer: ‘calma, você vai conseguir’. Precisamos mostrar que amamentação cansa, que necessita de orientação e calma para alimentar o bebê”, ensina. Jamyle Matoso, 35, pedagoga e mãe da Júlia, de 9 meses, conta que foram muitas as situações desse gênero superadas com boa informação.
“Quando ela nasceu foi muito tranquilo, já tinha bastante leite. O meu seio feriu um pouco nas primeiras semanas, mas depois ficou tudo bem. Ela passou pelos seis meses de amamentação exclusiva, nada de água, chá, por mais que a família viesse oferecer. Eu tive mais dificuldade há uns 15 dias. Ela não queria mamar de jeito nenhum, porque com os dentes nascendo ficou incômodo, mas insisti e depois ela voltou. Falavam que ela não ia engordar só com o leite, mas ela ganhava em média 1kg por mês”, conta Jamyle.
Evento combate o preconceito
Como se não fosse suficiente a falta de incentivo à amamentação exclusiva, muitas mães sofrem preconceito pelo ato de amamentar em público. Lorena Martins, 23, assistente social e mãe da Sophie, de 7 meses, conta que durante um almoço no shopping precisou amamentar a bebê na praça de alimentação e outra mãe a encarou como se fizesse algo errado. “Ela estava me olhando de forma opressora, enojada, e perguntei de forma bem firme se havia algo de errado comigo. Ela imediatamente virou o rosto, então voltei para minha filha”, recorda.
“Não vou interromper a livre demanda de mamada porque outras pessoas acham um ato de amor desse uma ofensa. O mais duro de tudo isso foi ver que era uma mulher, mãe de três crianças. Amamentar é puro amor. Vou amamentar na hora e no lugar que minha filha quiser”, reforça Lorena, que também já viveu a situação oposta, de sofrer preconceito por, em um determinado período, ter que entrar com complemento ao leite materno, quando seus seios ficaram muito machucados. “Eu não sabia amamentar, eles simplesmente ficaram tão destruídos que não consegui mais, então entrei com o Nan [leite em pó]”, conta. A orientação médica rendeu duras críticas por outras mães. “É duro ver o quanto as mulheres são destrutivas com as outras pelo simples fato de uma ter leite suficiente enquanto a outra chora, sofre, em não poder amamentar”, lamenta. Em rede social, Lorena pediu: “Por favor, mulheres, sejam mais amáveis e cúmplices com outras mulheres, cada uma sabe e sofre com suas dificuldades, principalmente quando o assunto é filho”.
PARTICIPE
Entre as atividades que as famílias vão encontrar no “1º Mamaço” em Ananindeua está massagem corporal para as mães e gestantes, venda de sling e fraldas ecológicas, além de um posto de vacinação. Das 9h às 10h haverá as atividades de musicoterapia para mamães e gestantes, shantala para bebês (a partir de 1 mês de vida), psicomotricidade (bebês a partir de 3 meses) e oficina de sling. Das 10h às 11h haverá um bate-papo sobre “A Importância da Rede de Apoio para o Aleitamento Materno”, com participação de diversas instituições convidadas, como o Banco de Leite da Santa Casa e a Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua. O mamaço está marcado para as 11h e o encerramento será com danças circulares e a foto oficial do “1º Mamaço em Ananindeua”.
(Lais Azevedo)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar