Nascido em Belém e com pouco mais de 20 anos, Leon Keuffer é um grande orgulho para a música erudita paraense. O jovem musicista começou a estudar violino aos sete anos, primeiro com Sandra Hsu e depois com seu pai, Paulo Keuffer, enquanto vivia nos Estados Unidos. Participou de masterclasses com grandes nomes da música erudita, como Peter Zazofsky, antes de se mudar para Manchester em 2009, para estudar com Jan Repko, na Escola de Música de Chetham. Depois de oito anos no Reino Unido, ele faz uma apresentação imperdível, patrocinada pela Vale através da Fundação Amazônica de Música, hoje, às 18h, na Sala Augusto Meira Filho, com entrada franca.
O concerto será em formato de Quarteto de Cordas, em que estarão Leon Keuffer no 1º violino, Feliphe Bruno Cardoso no 2º, Haroldo Correia na viola e Lucas Amaro no violoncelo. A escolha do repertório, conta Leon, foi com uma grande ajuda do amigo Felipe Bruno, professor do Conservatório Carlos Gomes e membro da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz. “Expliquei que queria muito fazer um concerto com quarteto de cordas e que uma das peças fosse de compositor brasileiro”, explica.
Tendo em mente o quarteto de Villa-Lobos nº 1, o musicista foi surpreendido pela proposta de tocarem Paulino Chaves (1883-1948), compositor paraense. “Gostei mais ainda quando fiquei sabendo que ele escreveu esse quarteto em Mosqueiro. E achei ótima ideia, porque quero muito divulgar a música erudita do Pará”, comenta.
Outra sugestão do amigo foi o “Quarteto do Imperador” (Quarteto em Dó Maior, op.76 nº 3), de Joseph Haydn (1732-1809), que Leon já havia tocado antes. “O compositor austríaco Joseph Haydn é a pessoa que idealizou esse formato de quarteto de cordas, um formato que gosto muito, principalmente pelo repertório. Tem muita coisa boa feita para quarteto. Melhor ainda quando existe afinidade entre os membros, como estou tendo com esse grupo”, diz.
Será a primeira vez que o Leon terá a oportunidade de tocar com o trio de musicistas paraenses. “Felipe Bruno é muito amigo meu. O Lucas estudava na Fundação Amazônica pelo projeto Vale Música, em que meu pai ensinava, e tenho muito contato com pessoas que estudavam lá. O Haroldo eu já tinha visto tocar também”, cita o jovem, que se diz emocionado pela realização do concerto. “Eu já tinha feito recitais e concertos muito naquele espaço [Art Doce Hall]. É um lugar que é bem visto pelo publico. Gostaria de acrescentar que sou muito agradecido pela professora Glória Caputo por me oferecer esse lugar”, diz Leon, referindo-se à coordenadora do Vale Música e do espaço dedicado à música erudita.
VIOLINO HISTÓRICO
O violinista conta que sua passagem por Belém se dá logo após o término do bacharelado que cursava no Reino Unido. “Minha graduação se deu em julho, meu próximo passo é o mestrado na Alemanha ou na Áustria. E por razões culturais mesmo. Quero aprender o modo de pensar do alemão, que influenciou tanto o nosso repertório. Tem tanta música importante escrita por eles que sinto uma afinidade com a música alemã”, justifica.
Desde 2015, Leon vem trabalhando junto com artistas renomados como o compositor Steve Reich, Hakan Hardenberger, o tecladista Rick Wakeman, o maestro e clarinetista Timothy Lines, os maestros Juraj Valcuha, Diego Masson e Bernard Haitink. Em 2017 ele foi aceito para se apresentar com o grupo de música contemporânea London Sinfonietta, fazendo parte também do curso da academia do London Sinfonietta, trabalhando com o maestro Andrew Gourlay. E um detalhe muito significativo: Leon toca um violino de 1947, feito pelo italiano Gaetano Pareschi, generosamente emprestado pela professora Catherine Martin, da Royal College of Music.
SERVIÇO:
Concerto do Quarteto de Cordas Leon & Friends
Quando: Hoje, às 18h
Onde: Sala Augusto Meira Filho – Art Doce Hall (Av. Magalhães Barata, 1022 - entre 14 de abril e Castelo – São Brás)
Quanto: Gratuito
Informações: (91) 3347-0505 e 99983-0700
(Laís Azevedo/Diário do Pará)
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