Comemora-se amanhã o Dia Municipal do Carimbó, instituído nesta data pelo nascimento de Mestre Verequete - ícone da música popular do Estado, que se vivo estivesse, completaria 101 anos. Em Belém, as comemorações já começaram na Passagem Álvaro Adolfo, no bairro da Pedreira - que era onde o mestre morava e hoje a sua moradora mais famosa é Dona Onete, que tem rodado o mundo mostrando nosso ritmo. É quando a comunidade se reúne e abre as portas de casa para celebrar também a vida e obra dos diversos outros guardiões da cultura, no IX Pau & Corda do Carimbó. Quem promove o evento é o grupo Sancari, que ao lado dos integrantes do Movimento Carimbó Patrimônio Cultural, fazem de tudo para que a data não passe em branco.
Isaac Loureiro, coordenador da campanha - que mesmo tendo a conquista do título do carimbó como patrimônio cultural brasileiro, concedido pelo concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2014, mantém-se ativa - acredita que o esforço é para lembrar que mesmo com mais de 20 anos de instituição da data, os grupos muitas vezes ainda padecem de espaços e mesmo de recursos para manter suas atividades. Ele pondera que somente uma oficialização como essa não basta.
“A comemoração é do próprio movimento. Foi algo oficializado pelo poder público, mas nunca assumido. Eles criaram a data comemorativa e não comemoraram. Jogaram a peteca para os grupos e mestres de carimbó. Não vemos ações efetivas, então, as pessoas comemoram espontaneamente e os grupos se organizam por conta própria, porque se a comunidade e sociedade não celebrar a memória, vai cair no esquecimento, vai desaparecer. É importante que façamos esses eventos”, diz.
O coordenador batalha pela feitura e implementação de um plano de salvaguarda do carimbó, para que se tenha catalogada a história do ritmo, e comemora que algumas ações estejam saindo do papel, como o Prêmio Carimbó Nosso Patrimônio, destinado aos mestres, mestras e grupos e que concederá 25 prêmios, no valor bruto de R$ 5.160 para cada premiado, com apoio do Iphan - uma reivindicação e uma conquista do movimento, iniciado em 2005.
Ele também fala com certa indignação sobre um contraste: o carimbó é tema de novela, tem sido tocado em casas de shows, artistas de alcance nacional tem buscado suas raízes e contraditoriamente não se sabe de uma iniciativa que torne o ritmo algo que alavanque a economia, com um local específico onde se encontrem dados, exposições, apresentações, e demais atividades artísticas, sociais, turísticas, com o carimbó.
“Há uma efervescência cultural, vemos turistas e produtores culturais de fora vindo atrás do carimbó, mas não temos algo estruturado para oferecer o carimbó para as pessoas, o que tem é iniciativa privada, como o Apoena e o Coisas de Negro, em Icoaraci, que lutam para se manter aberto. Está na mídia, na novela, mas aqui na ponta a gente não sente diferença, é a mesma invisibilidade dos grupos e mestres, a falta de apoio, a gente tenta alterar essa realidade. Depois de mais de uma década de luta, conquistamos esse edital, com valor ainda pequeno. Manter o carimbó vivo inclui a garantia de recurso públicos”, pondera.

O ícone do carimbó será homenageado em apresentação no Espaço Cultural Apoena (Foto: Elza Lima)
Homenagem ao Mestre Verequete
Nascido na vila do Quatipuru, município de Bragança, Augusto Gomes Rodrigues – o nome de registro de Mestre Verequete - herdou do pai o gosto pela cultura popular, já que comandava pássaro junino e boi-bumbá. Veio para Icoaraci, distrito de Belém, na década de 1940, e na tradição familiar continuou: fundou o Pássaro Guará e o Boi Pai da Malhada. Afeito ao carimbó também, quis criar seu próprio conjunto: Grupo Uirapuru do Verequete, que depois passou se chamar Uirapuru da Amazônia. O primeiro disco foi gravado em 1971. Daí em diante, Mestre Verequete tornou-se ícone do carimbó, sendo o principal nome para a difusão do ritmo nacional e internacionalmente. De acordo com Isaac Loureiro, há discos do mestre gravados até na Alemanha.
Programação
16h – Teatro com Casarão do Boneco
17h – Derrubada do mastro
17h15 – Sancari
17h50 –Som de Pau Oco
18h40 –Raízes da Terra (Marapanim )
19h40 – Carimbó Raisan, de mestre Cizico (Belém)
20h30 – Grupo Frutos da Terra (Irituia)
21h20 – Grupo Moara
22h10 – Grupo Caldo de Turú
23h – Sancari
Outros eventos
Exposição de figurinos folclóricos
Quando: Hoje e amanhã, 10h às 18h
Seminário artístico cultural com grupos folclóricos
Quando: Amanhã, 16h às 18h30
Mostra de curta metragem “Chama Verequete”
Quando: Amanhã, 19h às 20h
Onde: Museu de Arte de Belém (Palácio Antônio Lemos,
Praça Dom Pedro II)
Quanto: Gratuito
Cortejo cultural e roda de carimbó
Quando: Domingo, de 17h às 22h
Onde: Saída às 17h da Praça Brasil, até o Complexo Ver-o-Rio
Homenagem a Mestre Verequete com Grupo de Carimbó Curimbó de Bolso & Convidados
Quando: Sábado, às 22h
Onde: Espaço Cultural Apoena (Av. Duque de Caxias, 450)
Quanto: R$ 10 (até 23h) e R$ 15 (depois)
Informações: (91) 98213-6071 e 98158-0829
(Domink Giusti/Diário do Pará)
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