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Auto do Círio sai hoje pela Cidade Velha em um pedido coletivo de paz

Pela primeira vez, será da varanda do Colégio do Carmo que Alba Maria cantará o início de mais uma edição do Auto do Círio – que ocorre hoje, às 19h. Pelo meio da multidão que costuma acompanhar o espetáculo de rua, soará a voz dela a convidar, nas palavr

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Pela primeira vez, será da varanda do Colégio do Carmo que Alba Maria cantará o início de mais uma edição do Auto do Círio – que ocorre hoje, às 19h. Pelo meio da multidão que costuma acompanhar o espetáculo de rua, soará a voz dela a convidar, nas palavras do compositor paraense Vital Lima: “Menino acorda e vem olhar, o sol não tarda em levantar, vem ver Belém que começa a despertar/ Outros outubros tu verás (e outubros guardam histórias), ver o peso quando for a hora”.

A Praça do Carmo, utilizada para organização e preparação do elenco, também passa a receber a primeira cena, antes do cortejo que se dirige pela Rua Dr. Assis a caminho da Sé e da Praça D. Pedro II, para a apoteose. O que o público verá neste trajeto é uma reedição do tema de 2008, chamado “A Paz”, desta vez diretamente ligado a uma Belém que padece com a violência e a intolerância. “Esse auto também vem celebrando os 60 anos da Universidade Federal do Pará, instituição que gerou esse espetáculo para a cidade”, destaca Miguel Santa Brígida, curador desta edição.

De acordo com Tarik Coelho, coordenador geral do Auto, o tema “Por uma Belém de Paz” estará presente em cada detalhe. “Teremos duas estações a mais, na Praça do Carmo e no Museu do Estado. Nelas, no figurino, nas alegorias, haverá cores leves, por conta da temática”, comenta. O espetáculo também reúne vários grupos artísticos, como a Cia. Moderno de Dança na comissão de frente; a bateria do Rancho, responsável pelo batuque que leva o cortejo de uma estação à outra; a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, o Coral da Amazônia e o do Colégio do Carmo.

“A gente escolheu músicas que falavam de paz, deu orientações para que o elenco se inspirasse em entidades de paz, tanto católicas como de religiões de matriz africana. A apoteose deste ano irá comungar com o público ofertando um elemento para que ele interaja com a gente. Tudo foi pensado muito delicadamente para que o espetáculo, que já tem uma grande adesão popular, possa levar o público a comungar com esse pedido de paz”, destaca Santa Brígida.

Imagens do Auto do Círio de 2016: representação que já é parte da agenda cultural do Círio há 24 anos (Foto: Marcelo Lelis/Arquivo)

Abrindo os portões do Círio

O Auto do Círio é um programa de extensão universitária criado em 1993 pelas professoras Zélia Amador e Margareth Refkalefsky, da Escola de Teatro e Dança da UFPA. O objetivo era revitalizar o centro histórico de Belém por ocasião do Círio, proporcionando aos artistas o exercício do teatro de rua. Saindo tradicionalmente na sexta-feira que antecede o Círio, tornou-se bem imaterial da festividade em 2006, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),e parte indispensável da vida de muitos artistas paraenses.

“O que mais me emociona é que ele abre a festividade do Círio de Nazaré. As pessoas têm esquecido um pouco que não é ‘o Círio de Nazaré’. Desde a sua fundação, é ‘a Festa do Círio de Nazaré’. E o Auto do Círio é quem começa essa festividade”, orgulha-se Santa Brígida, partícipe desta história deste a sua primeira edição.

Cláudio Didimano, que este ano está na direção cênica, destaca que o espetáculo envolve ainda a realização de diversas atividades, como a preparação do elenco através de oficinas de teatro, dança, canto, cenografia e figurino; concepção e confecção de elementos cênicos; e experimentação cênica no espaço do espetáculo, que são as ruas da Cidade Velha. “Isso agrega as pessoas da comunidade. Para os artistas, o teatro de rua proporciona um corpo dilatado, um olhar direto para o público, te possibilita visões acerca do espaço”, afirma.

Mestranda em Artes Cênicas, Edilene Rosa, 33, hoje integra a equipe técnica do Auto e diz que ele se tornou uma vertente importante da sua relação com o Círio. “É um momento de entrega do meu ganha-pão mesmo como artista da fé, como alguém a serviço de Nossa Senhora”. O mesmo afirma Maria Borges, atriz há mais de 30 anos e parte do elenco do Auto há 20 anos. “Eu tenho amigos queridos que viajam e na época do Auto voltam para participar. O Auto é uma família”, afirma.
Vinda da comunidade, sem laços anteriores com as artes cênicas, Ana Lúcia Monteiro, 50, diz que ali é um momento único em sua vida, ao lado dos netos, vestida de Maria. “Eu vim fazer a inscrição dos meus dois netos, soube que eu podia participar também e fiquei. A sensação de fazer o cortejo é indescritível”.

Teatro na rua

Auto do Círio
Quando: Hoje, a partir das 19h
Concentração: Praça do Carmo (Rua Dom Bosco, s/n - Cidade Velha)
Apoteose: Praça D. Pedro II em frente aos Palácios Lauro Sodré e Antônio Lemos
Quanto: Gratuito

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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