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Trabalho social em Barcarena mostra que a indústria pode fazer mudanças na comunidade

No papel tem caulim. Na tinta, no cosmético, na pasta de dente, também. Mineral argiloso branco cujo ingrediente principal é a caulinita, o caulim é um dos produtos que impulsionam a economia paraense, num setor cuja relação com a comunidade é sempre chei

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No papel tem caulim. Na tinta, no cosmético, na pasta de dente, também. Mineral argiloso branco cujo ingrediente principal é a caulinita, o caulim é um dos produtos que impulsionam a economia paraense, num setor cuja relação com a comunidade é sempre cheia de contrapostos – ao mesmo tempo em que gera desenvolvimento, tem impactos sociais e ambientais agregados e que não têm como ser ignorados. Mas iniciativas simples mostram que é possível causar um benefício direto à população que vive no entorno das grandes indústrias, com resultados a curto prazo e muita perspectiva para o futuro.

Educação e arte como incentivos

Em Barcarena, município paraense que é polo industrial referência em mineração, a iniciativa da Imerys Caulim chama a atenção. Duas coloridas unidades chamadas de Casas Imerys (a primeira de Vila do Conde, aberta em 2012; a segunda, no Bairro Industrial, em 2015. Há ainda uma terceira casa em Ipixuna do Pará, município onde a empresa também mantém uma unidade de extração do minério) oferecem à comunidade local do entorno da fábrica – marcado pela carência econômica, social e cultural – acesso à arte e ao esporte, com atividades voltadas à educação, geração de renda e qualidade de vida não só como lazer, mas como oportunidade de trabalho.

“A intenção é desenvolver as pessoas para que elas possam entrar no mercado, criar os seus próprios negócios ou fornecer serviços de qualidade para atenderem as empresas do distrito industrial de Barcarena ou de outras localidades. Para que isso aconteça, precisamos promover a educação, a cidadania e a capacitação. O projeto oferece atividades que apoiam a socialização e a educação, como um suporte à educação pública, evitando a evasão escolar ou a criminalidade, situações de risco social comuns em Barcarena e Ipixuna. É importante lembrar que todas as crianças e os jovens que participam das atividades das casas precisam estar regularmente matriculados nas escolas e ter notas boas”, ressalta Juliana Carvalho, coordenadora de Comunicação & Relações com a Comunidade da Imerys.

Na entrada da unidade localizada no bairro Industrial, um muro desenhado pelo artista plástico Sebá Tapajós convida a conhecer um ambiente cheio de vida e de sonhos. Como o do professor Elton Assis, que leva a música para dezenas de crianças, na esperança de oferecer a elas a mesma oportunidade de pensar grande que um dia teve ainda como garoto de um bairro pobre de Barcarena e que hoje, dos altos de seus 24 anos, orgulha-se em bater no peito e dizer: “Conquistei tudo o que queria com a música”.

Elton é formado licenciatura plena em Música pela Universidade do Estado do Pará, diplomado em nível técnico pela Escola de Música da UFPA. Toca todos os tipos de saxofone, flauta transversal, percussão, é regente de orquestras, musicoterapeuta e há seis meses responde pelas aulas de flauta doce, percussão e coral da Casa Imerys (é ofertada ainda oficina de violão com outro professor) para jovens de 9 a 17 anos. Mais do que revelar talentos, ele espera com a educação musical dar uma perspectiva de vida a quem tem horizontes muitas vezes limitados pela pobreza.

“A música é uma ferramenta poderosíssima no trabalho social, cognitivo, ajuda muito a criança no processo do desenvolvimento, atuando na coordenação motora, memória, respeito mútuo, individual e trabalho coletivo. O prazer de tocar é muito importante, mas isso fica em segundo plano quando pensamos na música como modificador social”, ensina.

Na última quinta-feira, 26, o trabalho do professor Elton foi apresentado a um público de convidados de todo o Brasil, participantes do “Seminário Mineração & Comunidades”, uma realização da revista “Brasil Mineral” promovida durante dois dias em Belém. Ao público nem parecia, mas era a estreia do empenhado grupo formado por crianças na flauta doce, jovens na percussão e uma linda moça no metalofone.

“Foi a primeira apresentação deles e estavam muito nervosos. E eu sei o que é isso, porque me coloco muito na pele deles, eu vim dessa realidade. Morando em Barcarena, eu tinha como perspectiva de vida ser operário de uma das fábricas ou escolher algo diferente. Optei pelo segundo, mas com a intenção de melhorar a vida da minha comunidade”, emociona-se o professor, que foi picado pelo bichinho da música aos 9 anos, com uma flauta doce.

“E eles podem ir muito além, porque me lembro que, quando eu era pequeno e parava para estudar, não via em mim tanto empenho quanto vejo neles. Tenho aluno que vai para a aula e talvez não tenha tomado café, ou nem almoçado, vai ali pelo prazer de aprender música. Ver a felicidade deles é motivador”, diz.

As aulas de reforço escolar acabam por, muitas vezes, alfabetizar crianças oriundas da rede municipal de ensino. Abaixo, a estreia dos alunos de flauta doce na última quinta-feira (Foto: Reprodução/Instagram)

OPORTUNIDADE

A Casa Imerys iniciou suas atividades em 2012 com 820 alunos. Hoje são mais de 4,5 mil com aulas de dança, karatê, artesanato, informática, hidroginástica, entre outros. Há também o reforço escolar que, em muitos casos, se mostrou como o principal meio de alfabetização de crianças oriundas de uma precária rede municipal de ensino.

“Temos idosos que, ao frequentarem as aulas de dança e hidroginástica, reduziram o colesterol e triglicerídeos. Temos grávidas que fizeram o seu próprio enxoval e ainda venderam materiais gerando renda para a família. As mulheres do artesanato estão mostrando sinais de cooperativismo. Temos uma senhora que, após participar das aulas de informática, abriu a sua própria lan house, promovendo a renda da família. Temos relatos de pais sobre a melhoria da disciplina dos seus filhos que praticam balé ou karatê. Temos inclusive um caso na equipe de Comunicação: a nossa fotógrafa participou de uma oficina de fotografia na Casa Imerys”, orgulha-se Juliana, destacando que, por esses e outros resultados positivos, a Casa Imerys recebeu o selo Chico Mendes de Sustentabilidade em 2016.

Quando fala do quanto o filho está empenhado em aprender música, João Felicidade, comerciante de 36 anos, residente em Barcarena, faz jus ao sobrenome. Pai de Christian, 15, aluno dos cursos de violão e canto da Casa Imerys, ele vê no filho a chance de ir além na carreira musical, um sonho que alimentou na juventude. Se isso vai dar em profissão de fato no futuro ele não sabe, mas é um dos maiores incentivadores.

“Tenho amigos músicos profissionais que começaram sem oportunidade de estudar como ele, que tem acesso a um curso gratuito de qualidade. Eles foram se tornando músicos com a cara e a coragem, tirando uma música aqui, rascunhando uma composição ali, iam para a igreja – que sempre tem um bom mercado para músicos - e com muito ensaio, treinamento e apresentações em barzinhos hoje são grandes profissionais da música. Mostro que ele, com a oportunidade que está tendo, pode ir clareando um pensamento diferente de ser um músico profissional com ainda mais qualidade. Quem sabe?”, projeta o comerciante, que na juventude também deu os primeiros passos na bateria, teclado, e que admite que “se amarra em violino”.

(Divulgação)

O que é caulim?

O termo “caulim” deriva da palavra chinesa kauling (colina alta), referência à colina Jauchau Fu, localizada na China, onde o caulim é extraído há muitos séculos.

Na economia paraense, o caulim está entre os seis minérios com maior exportação mineral do Pará, que tem como destinos 19 países, sendo os principais consumidores os Estados Unidos, Canadá e Europa. Mesmo com toda sua importância na economia e presença em diversos produtos, o caulim ainda é desconhecido por muitas pessoas.

Fonte: www.imerysnopara.com.br

(Esperança Bessa, editora do Você)

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