


A mostra reúne obras minimalistas, do traço às formas tridimensionais, que lembram uma forma de poema japonês (Fotos: Divulgação)
De um traço amargo e rude, o artista Erinaldo Cirino passou, em poucos anos, a uma escrita de imagens leves, com a representação de situações que beiram o irreal, o sonho, a magia do colocar no papel o que a cabeça cria. Essa mudança veio de uma inquietação pessoal sobre a sua própria produção e foi determinante para que tivesse, enfim, apreço pelo que ele mesmo fazia e para trazer uma identidade a seu conjunto de obras. Uma parte dessa produção recente, entre desenhos, bordados, objetos, instalações e escultura, o artista apresenta na exposição “Todo Sentido é Devaneio”, aberta no Museu de Arte Sacra (MAS), em Belém.
A entrada é gratuita.
São obras minimalistas, do traço às formas tridimensionais. Para Erinaldo, é como se fossem haikais – forma do poema japonês caracterizada pela concisão -, curtos e sensíveis. “Gosto de coisas simples, o mínimo que pode dizer o suficiente, e isso se encaixa muito nesses desenhos. Poucos deles são mais cheios de elementos. Como poemas, gosto que os desenhos surjam espontaneamente. Só sento para desenhar quando já tenho uma ideia, que pode surgir em qualquer lugar, dentro do ônibus, lendo um livro, assistindo a um filme”, comenta o artista, que também escreve poemas.
Por conta dessa mudança de ritmo em sua produção, menos focada na quantidade e mais na orientação conceitual, os desenhos - de onde partem as outras obras em diversas linguagens - remetem aos sentimentos e sonhos: amor e ódio, solidão, peso e leveza, fragilidades, silêncios e barulhos da vida. “Nesse sentido penso que os trabalhos apelam mais para os conceitos do que para uma expressividade estética, como boa parte dos desenhos que vemos por aí. Talvez por isso sejam, vamos dizer, mais certinhos. É claro que de uma forma ou outra, continuam sendo expressivos. Mas antes tinha uma crise, querendo algo que me identificasse, experimentando várias coisas”, diz.
A mudança transpôs para o papel ideias de forma mais segura e madura, na forma e no conteúdo. E a carreira de Erinaldo começou a despontar. Vieram convites para exposições, trabalhos coletivos e, naturalmente, essa nova forma de pensar e executar as suas obras acabou se transformando no seu “modus operandi” artístico.
“Pareceu mais verdadeiro, e parece que quando é verdadeiro as pessoas também gostam mais. As exposições surgiram naturalmente. Mas são questões sempre em aberto, subjetivas, por isso o título. Todo sentido é enriquecedor e ao mesmo tempo não define nada. E para mim, o mundo vai se efetivando, ganhando sentido justamente através desses muitos devaneios que nascem dentro de nós. Quando a gente é estudante de arte, quer muito mostrar um trabalho forte, e por querer muito, me perdia um pouco, embora fizesse coisas que renderam alguns prêmios. Acho que agora tenho um trabalho um pouco mais maduro. Mas como qualquer artista, nunca estou totalmente satisfeito”, explica.
Visite
Exposição: “Todo Sentido é Devaneio”, obras de Erinaldo Cirino.
Quando: De hoje a 31 de dezembro
Onde: Galeria Fidanza – Museu de Arte Sacra (Praça Frei Caetano Brandão – Cidade Velha)
Informações: (91) 4009-8664
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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