O nome não é nada simples. Bharatanatyam é um estilo de dança tradicional indiana e, por tradicional, entenda-se que é passada de mestre para discípulo há milhares de anos. Ela nasceu das mesmas danças rituais feitas nos templos indianos e que foi para os palcos sem perder seu valor sagrado. A única brasileira com vários prêmios ganhos na Índia, inclusive o Nritya Ratna (a joia da dança) conferido pelo governo indiano por suas apresentações, é Kamalaksi Rupini. Pela primeira vez em Belém, ela faz uma apresentação de dança indiana, o espetáculo “Puja”, hoje, 23, às 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.
Complexa não só no nome, Bharatanatyam, explica Kamalaksi, são danças feitas para divindades hindus e que exigem uma formação de quase 10 anos. “Ela vem junto com uma filosofia, conta a história da Índia, religião. Também não existe separação entre dança e teatro. É uma dança que possui elementos abstratos, de movimentos, mas também tem algo muito forte de contar histórias, uma linguagem com as mãos – quase como uma comunicação por Libras. É feito também um estudo profundo das expressões faciais para comunicar com quem assiste. Além disso, é uma dança bem marcada, ritmada, vigorosa”. A programação é realizada em parceria pelo Curso de Licenciatura em Dança da Escola de Teatro e Dança (ETDUFPA) do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísico do Atuante – GITA (Diretório de Grupos de pesquisa do CNPq). Na sexta-feira, 24, a professora também realiza uma demonstração performática de Bharatanatyan, no Auditório da ETDUFPA. E domingo, 26, uma palestra sobre as deusas hindus e o feminino, com os devotos do movimento Hare Krisna, da ISCKON Belém, no Espaço Vida.
Kamalaksi Rupini nasceu em Minas Gerais e foi discípula de B. Bhanumati (de Bangalore, Índia), tendo também estudado com os gurus Mithun Shyam e Shivi Vanka. Ela já se apresentou nos principais festivais da Índia e tem ensinado a dança indiana por todo o Brasil. “Estou realizando um workshop [na Casa das Artes] desde segunda e a resposta foi bem positiva, surpreendeu. Os alunos estão encontrando semelhanças com a cultura local, de perceber como as tradições se encontram. A dança indiana traz busca pelo sagrado, pelas culturas antigas, o pensamento simbólico. Acho que aqui é campo muito propício para isso, com efervescência cultural muito grande”, comenta Kalamaksi.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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