Vinda de uma consulta médica no centro de Belém a partir de um dos ônibus da linha troncal que transitam pelo corredor do BRT, a dona de casa Maria Siqueira Brito, 64 anos, não tinha ideia do que fazer para conseguir adentrar em um ônibus que a levasse até o bairro do Paracuri I, onde mora. Ao descer no Terminal Maracacuera, em Icoaraci, a desorganização era tanta que restou à idosa gritar por entre a multidão que se aglomerava em meio ao corredor expresso do BRT, já na parte de fora do terminal: “Paracuri I... Como é que eu vou para o Paracuri?!”.
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Planejado para garantir a integração de linhas vindas do interior dos bairros com as linhas que fazem o trajeto do BRT até o centro de Belém, o Terminal Maracacuera é um dos três instalados na avenida Augusto Montenegro: que também conta com os terminais Tapanã e Mangueirão. Além deles, 11 estações construídas no centro da via alimentam o sistema BRT. Apesar de já se encontrarem em funcionamento, para quem precisa utilizar o serviço não faltam reclamações com relação à organização dos espaços que, apesar do calor característico de Belém, não dispõem de ar condicionado.

No dia em que Maria se viu perdida diante do Terminal Maracacuera, aquela foi a primeira vez em que a dona de casa resolveu utilizar o sistema de transporte que, segundo a Prefeitura Municipal de Belém (PMB), já está concluído.
Diferente do proposto ainda no início do projeto, as linhas troncais e do BRT que seguem pela canaleta expressa, vindas de Belém, deixam os passageiros no interior do terminal. Porém, para que as pessoas consigam adentrar os ônibus comuns que seguem para o interior dos bairros, é preciso sair do abrigo e esperar no meio do canteiro central da avenida, em meio à chuva ou sol.
Como resultado, uma multidão se forma no entorno dos ônibus que ficam parados em cima da faixa de pedestre, obrigando as pessoas a contornarem os veículos, passando por cima da faixa expressa do BRT. “Falta informação. Está tudo muito confuso”, considerava a estudante Ayla Assunção, 20, que acompanhava Maria. “Também estou confusa. Teve uma senhora no ônibus que veio perguntando para a gente como era a parada porque ela também não sabia”.

Habituado a fazer o trajeto Outeiro – Belém – Outeiro, o aposentado Oswaldo Carneiro, 76, sabia que seria necessário esperar no canteiro central do BRT para conseguir subir em um ônibus comum que o levasse para casa. Ainda assim, o pouco de informação que detinha sobre o funcionamento do sistema não diminuía a sua indignação pela forma atual de organização do BRT.
ESPERA
“Esse negócio só melhorou para Belém, porque a viagem está mais rápida, mas não adianta nada porque quando a gente chega aqui (no Terminal Mangueirão) tem que ficar esperando aqui fora para pegar o ônibus para ir para Outeiro”, reclamava. “Já estou esperando aqui tem 30 minutos para sair o ônibus comum. Se chover a gente pega chuva e quando não é chuva, é sol”.


Com a maior estrutura, o Terminal Mangueirão segue com movimentação muito menor do que o Maracacuera. No início da manhã do último dia 3, enquanto o acúmulo de passageiros causava tumulto no Terminal Maracacuera, o do Mangueirão seguia com poucos passageiros.
Neste segundo, para que tenham acesso às plataformas de embarque e desembarque, os passageiros precisam descer um grande lance de escadas, transitar pelo espaço subterrâneo e subir novamente até as áreas de parada dos ônibus. Para facilitar a locomoção, escadas rolantes foram instaladas no local, porém, no último dia 3, as mesmas estavam interditadas por cones.

Vidraças quebradas e problemas no telhado
Problemas na estrutura física também podem ser observados nas estações espalhadas ao longo das avenidas Augusto Montenegro e Almirante Barroso. Apesar de estarem em funcionamento há pouco tempo, é possível verificar a ocorrência de vidraças quebradas nas estações Grêmio Literário e Parque Shopping, na Augusto Montenegro, e nas estações Tavares Bastos e Tuna Luso Brasileira, na Almirante Barroso. Em nota, a Prefeitura Municipal de Belém afirmou que “sobre as vidraças danificadas, novas já foram encomendadas e embreve serão substituídas”.
Na Estação Tavares Bastos, o telhado também está danificado e na Estação Império Amazônico é a plataforma de embarque. Ao longo do percurso do BRT, cinco paradas do sistema ainda não estão em funcionamento: a Estação São Brás, no sentido centro da cidade; duas paradas da Estação Bosque e duas paradas da Estação Tavares Bastos. Ainda segundo nota da Prefeitura, “essas estações serão abertas para o serviço do BRT Metropolitano ou caso seja constatado o aumento na demanda atual de passageiros”.
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