O calendário marca três décadas de um dos capítulos mais sangrentos da história do campo brasileiro. Em 17 de abril de 1996, a "Curva do S", na rodovia PA-150, tornou-se palco do Massacre de Eldorado do Carajás, onde 21 trabalhadores rurais sem terra perderam a vida em uma operação policial que chocou o país e ganhou o mundo.
Hoje, 30 anos depois, o trauma vivido pelas famílias e pelos sobreviventes ainda ecoa em um cenário onde a disputa por terra, a lentidão da justiça e a violência seguem presentes.
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O Massacre: O que aconteceu
O confronto foi o desfecho de uma marcha de cerca de 1.500 trabalhadores rurais que bloqueavam a PA-150 exigindo a desapropriação de uma fazenda da região. A ordem de liberação da pista foi executada por 155 policiais militares. A ação, marcada pelo uso de força letal à curta distância e tentativas de destruição de provas, deixou 19 vítimas no local e duas no hospital, além de 69 feridos com sequelas permanentes.
Impunidade e Justiça
O desenrolar jurídico do caso é, para muitos especialistas, o símbolo máximo da dificuldade de responsabilizar crimes no campo:
• Absolvições: Dos 155 policiais que participaram da operação, 153 foram absolvidos.
• Condenações: Apenas dois oficiais de comando foram condenados a penas centenárias. O coronel Mário Colares Pantoja faleceu em 2020. O major José Maria Pereira de Oliveira, que também recebeu pena superior a 150 anos, cumpre prisão domiciliar devido à idade e saúde.
• Reparação: Três décadas após o massacre, famílias de vítimas ainda relatam que não receberam as devidas indenizações do Estado e vivem em condições precárias.
O Cenário Atual: A violência persiste
O Pará continua sendo um dos epicentros dos conflitos agrários no Brasil. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam que o estado acumula cerca de 200 áreas em disputa, envolvendo 20 mil famílias. Em 40 anos, foram registrados 59 conflitos com mortes no estado, totalizando 317 assassinatos de lideranças e trabalhadores, com menos de 10% desses casos chegando a julgamento.
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