A terra voltou a tremer no município de Tucuruí, no sudeste do Pará. Na madrugada deste sábado (13), por volta das 1h23 (horário de Brasília), os moradores da cidade foram surpreendidos por um novo abalo sísmico, que atingiu a magnitude de 2,8 na escala Richter. O fenômeno, além de ter sido nitidamente sentido em vários bairros, foi capturado por câmeras de segurança instaladas em residências e estabelecimentos comerciais.
Assim como nos episódios anteriores, as redes sociais e os aplicativos de mensagens foram inundados por relatos de moradores que acordaram assustados com um forte estrondo ruidoso, imediatamente seguido por rápidas vibrações nas estruturas de casas e prédios.
Sequência de abalos e dados da RSBR
O município vive um período de intensa atividade microssísmica. Segundo dados oficiais da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) — coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) — e analisados pelo Centro de Sismologia da USP, a sequência detalhada de tremores nesta semana aponta:
• Quinta-feira (11/06): Três tremores correlatos ocorreram na madrugada e manhã. O primeiro, um evento precursor de magnitude 2,2 às 1h17. O principal abalo da série aconteceu às 3h55, atingindo a magnitude de 3,5, forte o suficiente para quebrar janelas de vidro no bairro Park dos Buritis. Apenas dois minutos depois, às 3h57, um novo tremor de magnitude 2,9 foi registrado.
Veja também
- Moradores relatam novos tremores de terra e forte estrondo em Tucuruí
- PM pede colaboração de torcedores de Marabá durante os jogos da Copa
- Marabá se mobiliza em leilão beneficente para o Hospital do Amor
• Sexta-feira (12/06): Um quarto tremor, de menor intensidade, ocorreu na madrugada às 2h17, mantendo a população em estado de alerta.
A plataforma "Sentiu Aí?", da USP, recebeu 26 relatos formais de moradores. A análise técnica estimou que a intensidade atingiu os níveis IV a VI na escala Mercalli Modificada (MMI) nas proximidades de Tucuruí. Os moradores relataram vibração de objetos, barulhos e movimentos estruturais perceptíveis com duração de 2 a 3 segundos, características comuns para sismos muito superficiais (nos primeiros quilômetros de profundidade), mas que raramente causam danos graves a edificações bem construídas.
Histórico de sismicidade e padrão contínuo
De acordo com o catálogo técnico do Centro de Sismologia da USP, a região de Tucuruí possui um histórico documentado de sismicidade e os eventos atuais inserem-se em um padrão contínuo de atividade geológica na crosta terrestre:
• Eventos em 1998: No final de fevereiro e início de março de 1998, a mesma área geográfica registrou dois tremores moderados de magnitude 3,5 e um de magnitude 3,1.
• Atividade recente: Em janeiro de 2025, um abalo de magnitude 2,9 já havia sido detectado em coordenadas adjacentes, confirmando que a região segue sismicamente ativa. Especialistas alertam que tremores abaixo de magnitude 4 são comuns e que não é possível prever se a sismicidade atual vai continuar ou se eventos maiores podem ocorrer.
Estrutura da Usina Hidrelétrica preservada
Diante do temor da população sobre os reflexos dos abalos na segurança regional, as autoridades e equipes técnicas emitiram comunicados de monitoramento.
Barragem segura: A prefeitura de Tucuruí e a Defesa Civil do Estado formaram uma comissão técnica acompanhada por especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) para monitorar a evolução dos sismos naturais. Paralelamente, a AXIA Energia, empresa responsável pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, garantiu por meio de análises instrumentais que a estrutura da barragem não sofreu qualquer tipo de alteração, rachadura ou risco decorrente dos abalos.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar