Com a partida de Manoel Carlos neste sábado (10), o Brasil relembra seu legado mais icônico: a linhagem das Helenas. Entre 1981 e 2014, nove atrizes emprestaram seu talento para interpretar protagonistas que, embora tivessem histórias e idades diferentes, compartilhavam a mesma essência: mulheres complexas, falíveis, intensas e quase sempre moradoras do bairro do Leblon.
As Helenas não eram heroínas perfeitas; eram humanas. Sofriam por amor, cometiam erros éticos em nome da família e enfrentavam dilemas que faziam o telespectador se sentir sentado no sofá da sala daquelas personagens.
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Conheça a árvore genealógica dessas protagonistas que marcaram a história da TV:
1. Lilian Lemmertz (Baila Comigo, 1981)
A primeira de todas. Manoel Carlos criou a personagem especificamente para a atriz. Na trama, ela vivia o drama de ter separado os filhos gêmeos (interpretados por Tony Ramos) no nascimento. Foi o início de uma tradição que duraria mais de três décadas.
2. Maitê Proença (Felicidade, 1991)
Uma Helena jovem e solar, que vivia na pacata Vila Feliz. Seu dilema era esconder do amado a paternidade da filha, uma marca de Maneco: o segredo de família que move a engrenagem do roteiro.
3. Regina Duarte (História de Amor, 1995 | Por Amor, 1997 | Páginas da Vida, 2006)
A "namoradinha do Brasil" foi a única a viver a personagem três vezes. Em Por Amor, protagonizou a cena mais famosa da história das Helenas: a troca dos bebês na maternidade, sacrificando a própria felicidade para poupar a filha da dor.
4. Vera Fischer (Laços de Família, 2000)
Talvez a Helena mais lembrada visualmente. Vera interpretou a esteticista que abriu mão do seu grande amor (Edu) em favor da filha (Camila), e depois engravidou para tentar salvar a vida da jovem, que enfrentava a leucemia.
5. Christiane Torloni (Mulheres Apaixonadas, 2003)
Uma Helena questionadora e entediada com a rotina do casamento. "Mulheres Apaixonadas" trouxe uma protagonista que decidia abandonar a segurança para viver uma paixão do passado, enquanto o Leblon fervilhava com temas sociais como violência doméstica e desarmamento.
6. Taís Araújo (Viver a Vida, 2009)
Um marco histórico: a primeira Helena negra. Taís deu vida a uma top model de sucesso que enfrentava o drama da culpa após o acidente que deixou a enteada, Luciana (Alinne Moraes), tetraplégica.
7. Júlia Lemmertz (Em Família, 2014)
O ciclo se fechou com uma homenagem poética. 33 anos após a mãe, Lilian, inaugurar a linhagem, Júlia Lemmertz viveu a última Helena de Maneco. A trama focava na passagem do tempo e nas mágoas do passado que insistem em retornar.
Por que o nome Helena?
Manoel Carlos nunca deu uma explicação mística para a escolha. Dizia que era um nome que ele admirava por ser forte, clássico e evocar a Helena de Troia, da mitologia grega — a mulher por quem guerras eram travadas.
Suas Helenas deixaram de ser apenas personagens para se tornarem um título. Ser a "Helena de Manoel Carlos" era, para qualquer atriz brasileira, o auge da consagração artística e o passaporte definitivo para a galeria de imortais da teledramaturgia brasileira.
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