Conviver com a dor diariamente vai além do desconforto físico: o problema impacta diretamente a saúde mental, a produtividade e as relações pessoais. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 37% dos brasileiros com 50 anos ou mais sofrem de dor crônica, aquela que persiste por mais de três meses.
Um estudo global recente, publicado na revista científica JAMA Network Open, reforça o alerta: até 40% dos adultos com dor crônica apresentam sintomas clínicos de depressão ou ansiedade. O levantamento indica que 37% desses pacientes convivem com transtorno depressivo maior e 17% com ansiedade generalizada.
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O Ciclo da Dor
A dor constante mantém o corpo em estado de alerta, tornando o cérebro mais sensível a estímulos. Esse cenário gera um ciclo de desgaste que afeta diversos pilares da vida:
- • Sono: A dificuldade para descansar impede a recuperação do organismo, aumentando a irritabilidade e a percepção da dor.
- • Trabalho: A queda na produtividade e o afastamento profissional tornam-se comuns.
- • Social: O isolamento e a sensação de impotência fragilizam as relações familiares e diminuem a autoestima.
Abordagem Multidisciplinar
Para o médico especialista em dor, Lúcio Gusmão, o tratamento não pode focar apenas no alívio físico imediato. "A dimensão psíquica precisa ser tratada em conjunto, pois a ansiedade e o estresse também geram quadros inflamatórios no organismo", explica.
Estratégias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) têm mostrado resultados positivos, reduzindo os sintomas de depressão em 25% e a intensidade da dor em 15%. O acompanhamento psicológico também é fundamental para evitar a dependência de analgésicos potentes e opioides, um risco crescente entre pacientes que tentam aplacar o sofrimento emocional através da medicação.
Reconhecer que a dor crônica é um problema complexo é o primeiro passo para buscar ajuda especializada e retomar a qualidade de vida.
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