A ciência brasileira alcançou um marco histórico que desafia diagnósticos anteriormente considerados irreversíveis. Subiu para quatro o número de pacientes tetraplégicos ou paraplégicos que retomaram movimentos e sensibilidade após a administração da polilaminina, um medicamento experimental desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O caso mais recente a emocionar a comunidade médica é o de Diogo Barros Brolho. Diogo sofreu uma lesão medular total ao cair de um prédio no Rio de Janeiro, perdendo completamente os movimentos abaixo do pescoço. Após o tratamento com a proteína brasileira, ele já apresenta retorno de sensibilidade e controle motor, tornando-se o quarto caso de sucesso do protocolo.
Veja também
- STJ decide que direito à vida prevalece sobre convicção religiosa
- Canetas emagrecedoras: riscos e cuidados essenciais
- Desmatamento na Amazônia recua e consolida tendência de queda, aponta INPE
Os Pioneiros: Quem são os 4 pacientes?
A trajetória da polilaminina é construída por histórias de superação que comprovam a eficácia da terapia em diferentes níveis de lesão:
• 1. Maria Aparecida (Cida): A primeira voluntária do estudo. Portadora de uma lesão crônica, Cida foi a prova inicial de que a proteína, testada antes em animais, poderia funcionar em humanos ao recuperar movimentos voluntários nas pernas.
• 2. O Paciente da Reabilitação Sensorial: Este voluntário possuía uma lesão completa há anos. Após a polilaminina, recuperou a sensibilidade térmica e de pressão, além de retomar funções autonômicas vitais, como o controle urinário.
• 3. O Jovem de São Paulo: Vítima de um trauma na coluna que causou paraplegia, este paciente surpreendeu a equipe médica ao retomar força muscular suficiente para realizar movimentos de marcha (caminhada) com auxílio de suportes.
• 4. Diogo Barros Brolho: O caso mais recente, que expande o sucesso do medicamento para quadros de tetraplegia decorrentes de quedas de grande altura, apresentando evolução motora constante.
A Tecnologia: Como a Polilaminina "religa" o corpo?
Desenvolvida pela equipe da neurocientista Dra. Tatiana Coelho-Sampaio, a polilaminina não é uma célula-tronco, mas uma proteína bioativa. Ela atua como uma "ponte" química e física:
1. Vencendo a Cicatriz: Em lesões medulares, o corpo cria uma cicatriz que impede a passagem de sinais nervosos. A polilaminina preenche esse espaço.
2. Estimulando Neurônios: A substância envia sinais que incentivam os neurônios sobreviventes a crescerem e atravessarem a lesão.
3. Reconexão: Uma vez que os nervos cruzam essa "ponte", o cérebro volta a conseguir enviar comandos para os membros.
O Caminho para a Cura
Apesar dos resultados promissores, os médicos ressaltam que o medicamento ainda está em fase de ensaios clínicos e não está disponível para venda ou uso geral em hospitais. O sucesso depende de um protocolo rigoroso que inclui a aplicação cirúrgica da proteína e meses de fisioterapia intensiva para "treinar" as novas conexões nervosas.
A meta dos pesquisadores agora é ampliar o grupo de testes para buscar a aprovação definitiva junto à Anvisa, o que colocaria o Brasil na vanguarda mundial do tratamento de paralisias.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar