O mercado de trabalho brasileiro entra em 2026 em um cenário inédito. Os dados consolidados de 2025, divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE, entregam ao novo ano uma herança de pleno emprego técnico, com a desocupação no nível histórico de 5,1%. Se 2025 foi o ano da recuperação quantitativa, o debate econômico para 2026 se concentra na qualidade e na sustentabilidade desses índices.
O "Efeito Herança": 2025 vs. 2026
A comparação entre os dois períodos revela uma mudança na dinâmica das contratações. Em 2025, o crescimento foi impulsionado por uma demanda represada e pela expansão forte do setor de serviços e da administração pública. Para 2026, analistas apontam que o ritmo de queda do desemprego deve estabilizar, uma vez que o país atingiu um patamar próximo ao limite de ocupação da força de trabalho disponível.
Veja também
- Câmeras flagram furto e polícia descobre arsenal secreto de armas
- Ele achou que sairia impune, mas agentes descobriram tudo
- Challenger: 40 anos do desastre que mudou a segurança na NASA
Comparativo de Indicadores Chave:
• Massa de Rendimento: Em 2025, a massa salarial bateu o recorde de R$ 361,7 bilhões. Para 2026, a expectativa é que o aumento do consumo, gerado por esse montante, continue aquecendo o PIB, mas sob vigilância do Banco Central para evitar pressões inflacionárias.
• Formalização: O recorde de 38,9 milhões de carteiras assinadas em 2025 coloca 2026 sob a pressão de manter o custo do trabalho competitivo, ao mesmo tempo em que a valorização do salário-mínimo puxa a média salarial para cima.
Setores que ditam o ritmo este ano
Diferente do ano passado, onde o comércio de vestuário e calçados deu o fôlego final, 2026 começa com um protagonismo maior dos setores de tecnologia e serviços especializados.
Segundo a coordenadora de pesquisas do IBGE, Adriana Beringuy, a expansão do rendimento médio em 2025 foi muito influenciada por ocupações de maior escolaridade (Informação, Comunicação e Atividades Financeiras). A tendência para 2026 é que a "escassez" de mão de obra qualificada force as empresas a investirem em treinamento e retenção, o que pode elevar ainda mais o rendimento médio habitual, que fechou o ano passado em R$ 3.560.
O Desafio da Informalidade
Embora a informalidade tenha recuado para 38,1% no fechamento de 2025, ela permanece como a principal barreira estrutural para 2026. O desafio do governo e da iniciativa privada este ano será converter os 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria em microempreendedores formalizados ou absorvê-los no mercado de capitais, garantindo maior arrecadação previdenciária e estabilidade social.
Em resumo, se 2025 foi o ano dos recordes estatísticos, 2026 será o ano do teste de resistência: o mercado de trabalho precisará provar que consegue manter salários altos e desemprego baixo sem comprometer o equilíbrio fiscal e a meta de inflação.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar