As repercussões das denúncias contra o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, ganharam novos desdobramentos após a revelação de um complexo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações do Ministério Público do Pará (MPPA), recursos que deveriam ser aplicados em saúde, educação e infraestrutura foram desviados para a aquisição de uma mansão de alto padrão no litoral do Ceará e uma aeronave milionária.
O esquema da "vaquinha"
O Ministério Público detalha que o pagamento do imóvel em Fortim (CE) — avaliado em R$ 4 milhões com mobília — não era feito diretamente pelo prefeito, mas por empresas que mantêm contratos ativos com a prefeitura de Ananindeua. Os investigadores batizaram o mecanismo de "vaquinha da corrupção".
De acordo com o inquérito, o fluxo do dinheiro seguia um padrão: logo após receberem pagamentos do município, as empresas transferiam altas somas para a construtora do empreendimento cearense.
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Caso NEO BRS: A empresa, que fornece material escolar, recebeu cerca de R$ 1,5 milhão da Secretaria de Educação entre setembro e outubro de 2024. No dia seguinte ao pagamento, transferiu R$ 866 mil para a conta vinculada ao imóvel do prefeito.
Ferreira Comercial: Fornecedora de produtos de limpeza, a empresa repassou R$ 250 mil para uma das parcelas da casa apenas 24 horas após receber R$ 521 mil dos cofres públicos.
Evolução patrimonial e bens ocultos
O Procurador-Geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirma que há uma "incompatibilidade flagrante" entre os rendimentos declarados de Daniel Santos e seu patrimônio real. Embora o prefeito tenha declarado R$ 5 milhões em bens à Justiça Eleitoral, o MPPA solicitou o bloqueio de R$ 130 milhões.

A lista de bens suspeitos inclui uma fazenda de R$ 16 milhões e um avião avaliado em R$ 10 milhões. A aeronave, contudo, desapareceu. A suspeita é de que o prefeito tenha se desfeito do bem após ser alertado sobre a operação policial.
Envolvimento da gestão municipal
A investigação também atinge o primeiro escalão do governo. Alexandre Gomes, secretário de Habitação desde fevereiro de 2025, é suspeito de realizar depósitos que somam R$ 1 milhão para quitar parcelas da residência de luxo pouco após assumir o cargo.

Outro Lado
Em nota, Daniel Santos negou todas as acusações, classificando as investigações como "perseguição política". O prefeito não foi localizado pela reportagem na sede da prefeitura. Ele segue sob investigação por corrupção ativa, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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