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Açaí paraense movimenta R$ 8,8 bilhões e lidera mercado global

Estudo da Fapespa revela que a produção cresceu 14 vezes em quatro décadas; fruto agora é peça-chave no mercado de créditos de carbono.

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Imagem ilustrativa da notícia Açaí paraense movimenta R$ 8,8 bilhões e lidera mercado global camera O açaí deixou de ser apenas a base da mesa paraense para se transformar em um gigante da economia mundial. | Reprodução

O açaí deixou de ser apenas a base da mesa paraense para se transformar em um gigante da economia mundial. Um levantamento detalhado da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), divulgado nesta terça-feira (17), mostra a trajetória explosiva do fruto: a produção no Pará saltou de 145,8 mil toneladas, em 1987, para expressivas 1,9 milhão de toneladas em 2024.

O estado detém hoje uma hegemonia incontestável, sendo responsável por 89,5% da produção nacional. O impacto financeiro acompanha essa curva ascendente, com a cadeia produtiva gerando R$ 8,8 bilhões no último ano — o que representa quase a totalidade (93,8%) da riqueza gerada pelo setor em todo o Brasil.

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O Coração da Produção

Dez municípios paraenses concentram mais da metade de tudo o que é produzido no país. O protagonismo fica com:

• Igarapé-Miri: Consolidado como a capital mundial do fruto;

• Cametá e Anajás: Municípios que completam o "top 3" da produtividade.

Esse crescimento não se reflete apenas nos números, mas na mudança social. O estado passou de pouco mais de 5 mil estabelecimentos produtores na década de 80 para mais de 81 mil unidades, conectando desde a agricultura familiar até grandes complexos industriais que exportam para o mundo.

De Alimento a Ativo Ambiental

Um dos pontos mais inovadores do estudo “O Contexto Econômico e Ambiental do Açaí” é a valorização do fruto como aliado contra o aquecimento global. O cultivo do açaí tem funcionado como um poderoso "sumidouro" de poluição:

• Reflorestamento: A área de cultivo cresceu de 135 mil para 252 mil hectares em nove anos;

• Captura de Carbono: Em 2024, as plantações foram capazes de retirar da atmosfera cerca de 907 mil toneladas de CO₂.

Essa característica abre uma nova fronteira econômica para o produtor: a geração de créditos de carbono, unindo o lucro da venda do fruto ao benefício financeiro pela preservação e recuperação ambiental.

Desafios no Horizonte

Apesar do sucesso nas exportações, que saltaram de US$ 334 mil para US$ 127,8 milhões em duas décadas, o setor ainda enfrenta o desafio da modernização. Segundo Marcel Botelho, presidente da Fapespa, o futuro da hegemonia paraense depende de ciência e tecnologia.

"A liderança traz o desafio de ampliar o nível tecnológico no cultivo, assegurando uma produção sustentável e viável. Precisamos investir em inovação para enfrentar a concorrência futura", afirmou Botelho, destacando a necessidade de novas técnicas desde o plantio até a fase de pós-colheita.

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