O julgamento histórico contra a Meta em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, ganhou novos contornos nesta semana com o depoimento do ex-executivo da empresa Arturo Bejar.
Convocado como testemunha no processo movido por uma coalizão de dezenas de estados norte-americanos, o ex-engenheiro fez duras críticas à condução do presidente-executivo Mark Zuckerberg, afirmando que a companhia priorizou o crescimento de audiência e o engajamento em detrimento da segurança e da proteção do público infantil.
Segundo Bejar, as métricas de desempenho da Meta estimulavam a busca contínua por uso prolongado das plataformas Facebook e Instagram, relegando a segundo plano o combate ao vício e a exposição de menores de idade a conteúdos nocivos.
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Durante o depoimento, ele descreveu uma cultura interna na qual recursos voltados ao bem-estar dos usuários, como lembretes para pausas, eram implementados de forma frágil ou sem ativação automática para não comprometer a retenção da audiência.
As alegações sustentam a acusação central movida pelos procuradores-gerais estaduais, que apontam que a Meta projetou seus produtos deliberadamente para induzir o uso compulsivo entre adolescentes e crianças.
Além dos impactos na saúde mental dos jovens, a empresa responde a acusações de coletar e utilizar dados pessoais de menores de 13 anos sem o devido consentimento dos pais, violando leis federais de privacidade dos Estados Unidos.

A Meta, por sua vez, rejeita categoricamente as acusações. A gigante de tecnologia afirma que não desenhou suas plataformas com a intenção de prejudicar usuários e destaca que tem investido continuamente em ferramentas de segurança, restrições para contas de menores e controles parentais. A empresa também argumenta que as declarações de Bejar fogem ao escopo do trabalho que ele desempenhava e não refletem a totalidade das ações da companhia.
O julgamento, que deve durar cerca de seis semanas e prever o depoimento do próprio Mark Zuckerberg, é comparado por especialistas a litígios históricos contra a indústria do tabaco. Caso seja responsabilizada, a Meta pode enfrentar penalidades financeiras multibilionárias e ser obrigada pela Justiça a aplicar mudanças profundas no funcionamento do Facebook e do Instagram.
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