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ESTRUTURAS IRREGULARES

Prefeitura erra em obras no Ver-o-Peso e gera revolta de feirantes

Feirantes que trabalham no Complexo Ver-o-Peso, em Belém, realizaram um ato na manhã de ontem por causa dos recentes acontecimentos que envolvem o projeto de reforma do principal mercado da capital. Eles reclamam que não foram ouvidos pela Prefeitura para

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Imagem ilustrativa da notícia Prefeitura erra em obras no Ver-o-Peso e gera revolta de feirantes camera O espaço que era abrigaria os feirantes de forma provisória era para ser construído de madeira e não de alvenaria e por isso foi demolido. | Wagner Santana/Diário do Pará

Feirantes que trabalham no Complexo Ver-o-Peso, em Belém, realizaram um ato na manhã de ontem por causa dos recentes acontecimentos que envolvem o projeto de reforma do principal mercado da capital. Eles reclamam que não foram ouvidos pela Prefeitura para discutir ou tomar ciência de como seriam as construções de barracas provisórias em alvenaria, que não estariam de acordo com a proposta apresentada anteriormente. Logo após as manifestações, trabalhadores da empresa contratada para este serviço demoliram o que já estava em construção.

Durante o protesto, a via em frente ao mercado chegou a ser interditada e uma caminhada foi realizada em direção ao Solar da Beira, para chamar a atenção dos demais trabalhadores e clientes que frequentam o local. O presidente do Instituto Ver-o-Peso, Manuel Rendeiro, informou que a execução da obra foi completamente diferente do pré-projeto. “Não comunicaram nada disso. Enganaram a gente, o Ministério Público e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Era para eles terem apresentado um pré-projeto de como ficaria esse planejamento, mas não apresentaram nada. Enganaram todo mundo e foi por isso que o Iphan nos deu apoio”, declarou, destacando o embargo do Iphan, que impediu o prosseguimento da obra provisória por não estar em conformidade.

O representante dos feirantes afirmou que todos são a favor da obra no Ver-o-Peso, mas que não aceitam mais ir para o local destinado, que fica atrás do antigo estacionamento, onde já estavam em construção as estruturas provisórias. “Nós queremos e precisamos da reforma, da troca da lona, do piso e fiação elétrica, mas com remanejamento nós não aceitamos mais. A proposta é ir ao meio-fio, com barracas provisórias, e assim incomodar ele (prefeito) e a sociedade para que respeitem e cumpram o prazo determinado conosco que é antes do Círio”, completou.

Sem palavra

Quem trabalha no local diariamente teme pelo remanejamento e reclama da falta de diálogo entre prefeitura e feirantes, como Francisca Coutinho, 62, que há mais de 40 anos trabalha no local. “Ele (prefeito Zenaldo Coutinho) não cumpriu com a palavra dele. Disse que as barracas eram de madeira, mas são de alvenaria e para embargar isso tivemos de pressionar bastante. Eles dizem que esse projeto existe há anos, mas se tinham esse projeto, porque começar apenas agora? Tenho certeza que isso vai ser igual ao BRT e ficar pela metade”, disse, indignada.

Cátia Cilene, 50, afirmou não ver perspectiva de melhoria para o Ver-o-Peso em um futuro próximo. Segundo ela, que trabalha há 35 anos na feira, promessas de reforma do mercado são constantes e ela já está desacreditada. “Pagamos tanto de imposto aqui e não vemos retorno de nada. Querem nos remanejar e não sei se voltaremos ao mesmo lugar. Tenho muito tempo aqui e não vou sair e dar este lugar de mão beijada”, avisou.

Gestão de Zenaldo Coutinho admite ‘equívoco’ em obras


Em nota publicada em seu site, a Prefeitura de Belém informou que a demolição da antiga estrutura em alvenaria e a construção da nova feira provisória, que está sendo montada no estacionamento do Ver-o-Peso, será custeada pela empresa contratada para a obra, sem ônus ao Município.

Em seguida, a Prefeitura admitiu que autorizou a obra e classificou o ‘ok’ como um ‘equívoco’ dos fiscais do órgão. “Por um equívoco de parte dos fiscais da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), foi autorizado à empresa responsável pela obra, serviços que não estavam aprovados, o que foi o caso da construção de boxes em alvenaria, quando deveriam ser construídos em madeira”.

A construtora responsável pela obra é a Impax. O contrato celebrado entre ela e a Seurb prevê a execução da obra de substituição da cobertura e das instalações elétricas, além de recuperação do piso e drenagem na feira. Pelos serviços, vai receber quase R$ 5 milhões. O prazo para a execução da obra é de oito meses a contar de 10 de janeiro de 2020.

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