Quem é do Pará dificilmente esquece certos nomes que ajudaram a construir a identidade cultural do estado. Entre eles, está a da artista Élida Braz, figura conhecida pela ousadia, criatividade e por uma trajetória que sempre escapou dos caminhos convencionais.
Das passarelas aos palcos, de performances teatrais a projetos ambientais, Élida ganhou projeção nacional principalmente nos anos 1990 e 2000, quando se apresentava na casa de shows Teatro Dance Mystical, de propriedade de seu ex- marido André Luis Lobato, em Belém, em números performáticos que marcaram época, incluindo o Ritual do Açaí, no qual interpretava a personagem Açaiara que domava cobras vivas.
Interrompeu sua carreira artística em 2019 e, atualmente em outra fase, dedica-se aos estudos acadêmicos e empreende no mercado de moda. Em 2025 graduou-se em Moda e atualmente está fazendo um curso de Pós-Graduação em Antropologia Cultural.

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Conhecida também pela parceria artística e pessoal com o ex-vereador e produtor cultural André Luís Lobato, o Kaveira, com quem foi casada e está separada desde 2018, Élida construiu uma carreira multifacetada que mistura teatro, música, cinema, ativismo ambiental e social.
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Com forte presença de palco e estética provocativa, foi modelo, participou de concursos de beleza, com destaque para os concursos Miss Verão do Centenário de Mosqueiro, Rainha das Rainhas do Carnaval e Miss Pará, disputando o Miss Brasil em Brasília. Transitou entre teatro, passarelas e intervenções artísticas, participou de filmes e construiu uma identidade marcada pela liberdade criativa e estética com fortes elementos culturais amazônicos.
Mystical e o “Ritual do Açaí”
No fim dos anos 1990, no teatro-dance Mystical, em Belém, espaço que se tornou referência por unir arte, música e um grupo de teatro que apresentava performances ao vivo. Entre os números mais conhecidos estava o “Ritual do Açaí”, apresentado por Élida Braz, que incorporava elementos da cultura amazônica em exibições de forte impacto cênico e simbólico.

O projeto ganhou repercussão nacional e levou Élida Braz a programas nacionais como o Altas Horas, da TV Globo, e o Domingo Legal, do SBT, em 2000, ampliando a visibilidade da cena cultural do Pará. Em 1997 a atriz participou de seu primeiro longa-metragem o filme, Lendas Amazônicas, no episódio Cobra Grande, com direção de Moisés Magalhães e Ronaldo Passarinho.
A estrada, os palcos e a DJ Lady Green
Após um incêndio encerrar o espaço cultural em 1999, desenvolveu atividades musicais em um ônibus com palco e iluminação adaptado para apresentações artísticas, circulando por diversas cidades brasileiras, Élida Braz animava o público itinerante, com a banda de rock Xuxu e as Kaveiras Barrocas, sendo destaque no Rock in Rio.
Em 2007 Élida retorna para Belém após um longo período em Fortaleza e inicia um novo projeto como Deejay. Primeiramente como Dj Saynha, foi lançada regionalmente no saudoso programa televisivo da RBA, Boteco do Anaice, que lhe rendeu grande visibilidade levando-a para diversas apresentações nos interiores do estado do Pará.

Em 2009 atuando como ambientalista, assume o nome artístico de Lady Green, a musa da sustentabilidade e passou a unir tecnobrega, carimbó, guitarrada, música eletrônica e ativismo ambiental em seus set’s. Pioneira no uso de figurinos iluminados por LED, uso de energia solar e distribuição de sementes ao público, transformou os shows em ações de conscientização ecológica.

O projeto ultrapassou fronteiras e a levou para apresentações em países como Dinamarca, França, Argentina e Congresso Latino-Americano de Cultura Viva, na Bolívia.

Nova fase entre estudo, audiovisual e ativismo
Em outubro de 2018, após separar-se do seu ex-marido, Élida Braz deixou o Rio de Janeiro e retornou de mudança para Belém. Disposta a desacelerar uma carreira longa que iniciou ainda na adolescência e realizar o antigo sonho de cursar faculdade, decidiu iniciar um novo projeto de vida que aliasse estudo e realização pessoal. No término da pandemia da Covid-19 afastou-se da cena artística e passou a empreender no ramo de moda feminina. Em 2025 obteve graduação de Bacharela em Moda pela Unama e atualmente cursa Pós-Graduação em Antropologia e planeja continuar especializando-se nesta área. Mantém fortes vínculos com povos originários, mas agora em pesquisas no campo científico.

Discreta em sua vida pessoal nesta nova fase fora dos holofotes, Élida não descarta eventual retorno ao meio artístico em algum projeto que tenha interesse, Inclusive, em 2024 fez uma participação no filme internacional Trans-Amazônia, rodado no Pará e outros países, dirigido por Pia Marais.
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