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FUTEBOL PARAENSE

CT do Remo atesta maturidade, destaca Gerson Nogueira

Coluna deste domingo (06), tem Remo e Paysandu.

domingo, 06/06/2021, 10:02 - Atualizado em 06/06/2021, 10:12 - Autor: Gerson Nogueira


Fábio Bentes anunciou aquisição remista. Fábio Bentes anunciou aquisição remista. | Samara Miranda/Remo

CT é atestado de maioridade

A notícia da compra do Centro de Treinamento entusiasmou a torcida azulina na tarde de sexta-feira. Nas redes sociais, a repercussão lembrou a conquista de um título. E, de fato, é uma vitória e tanto. O anúncio, feito pelo presidente Fábio Bentes, veio em tom de euforia, plenamente justificada pela importância do fato. Além do que representa para a evolução técnica do futebol remista, a aquisição do CT garante acesso ao seleto grupo dos clubes realmente grandes do país.

Em 116 anos de existência, o Remo teve inúmeras oportunidades para se consolidar como um clube profissionalmente respeitável. Na metade do século passado, desfrutava de condições extremamente favoráveis, mas o próprio amadorismo que prevalecia no país não permitia voos mais ousados. Nos anos 70, o clube adquiriu bens – entre os quais um posto de gasolina, posteriormente perdido – e não investiu na estrutura do futebol.

A última tentativa, já nos anos 80, foi a compra da sede campestre, que terminaria vendida em leilão (sem lucro visível) antes de ser utilizada. Fábio Bentes, há três anos presidindo o clube, tornou realidade o que há 10 anos ninguém imaginava possível. Após cuidadosa pesquisa de mercado, fechou negócio com o Carajás para compra da imensa área localizada no bairro de Itaiteua (em Outeiro), região metropolitana de Belém.

Em contato telefônico com a coluna, na sexta-feira, Fábio explicou que nesta semana o campo principal começa a ser preparado para que o elenco possa treinar ainda no mês de junho. Não detalhou os termos da transação. Especula-se que a cifra chegue a R$ 5 milhões – com uma entrada vultosa e parcelamento do valor restante.

Para respaldar o negócio, a diretoria vai encaminhar à apreciação da Assembleia Geral uma alteração do estatuto para que possa ser emitida uma quantidade de títulos de sócios remidos. Para Fábio, a cota extra de títulos vai garantir a quitação da propriedade ainda em 2021. Caso contrário, o CT será quitado ao longo de 2022.

A conquista do CT tem enorme valor patrimonial e extrema relevância para a imagem pública de um clube que passou poucas e boas nos últimos anos, atormentado por problemas financeiros e débitos trabalhistas que pareciam insanáveis, quase um poço sem fundo.

A gestão de Fábio recolocou o Remo nos trilhos. Pacificou as alas políticas, investiu no futebol e resgatou o estádio Evandro Almeida, que permaneceu fechado por cinco anos. Provou, acima de tudo, que trabalho sério e responsável pode operar verdadeiros milagres.

O futebol do Pará não via há décadas uma gestão que produzisse resultados tão expressivos em período de tempo tão curto. Em gesto que evidencia a confiança dos associados, Fábio acabou aclamado para um segundo mandato. Em meio a isso, a volta ao Brasileiro da Série B permitiu um respiro financeiro determinante para a compra do CT.

A sempre reivindicada política de valorização das divisões de base será finalmente posta em prática, a partir de instalações e equipamentos adequados para a preparação de jovens atletas. O centenário Evandro Almeida – que esteve a pique de ser objeto de negociata espúria há menos de duas décadas – poderá ser preservado apenas para jogos oficiais.

O futebol profissional será beneficiado enormemente com o Centro de Treinamento, passando a dispor de atenção técnica especializada quanto à preparação atlética e aos recursos da medicina esportiva de ponta, como extensão do festejado Nasp, em operação nas dependências do Baenão. O torcedor, referia-se ao CT como um sonho impossível, agora pode se orgulhar. O Remo muda de prateleira e passa, de fato, a pensar grande.

Bola na Torre

 

Valmir Rodrigues apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a participação de Remo e PSC nas Séries B e C do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cézar. 

É hora de Eutrópio optar pelo óbvio no Papão

A estreia do PSC na Série C contra a Tombense exibiu problemas antigos da equipe. Sem organização e criatividade, o sofrimento prevaleceu por 90 minutos. O gol só saiu no finalzinho, numa jogada isolada, com finalização do volante Bruno Paulista.

Ficou a certeza de que o ataque que precisa funcionar para que o time sofra menos. Mas, para que isso se torne realidade, a criação não pode ser entregue a um meio-campo que se caracteriza apenas pelo esforço de marcação – e nem sempre de forma eficiente.

 

Vinícius Eutrópio não surpreendeu na escalação.
Vinícius Eutrópio não surpreendeu na escalação. Jorge Luís Totti/Paysandu
 


Ao mesmo tempo, é notória a carência por um atacante mais determinado e capaz de simplificar as coisas na zona de definição. Gabriel Barbosa, herói do título improvável diante da Tuna com quatro gols em dois jogos, era uma escolha óbvia para ocupar o centro do ataque.

Para espanto geral, o técnico Vinícius Eutrópio resolveu contrariar a lógica e manteve a formação titular que Itamar Schulle e Wilton Bezerra (interino) utilizaram. Sem Gabriel. Ora, as obviedades também sinalizam caminhos no futebol. Um goleador precisa de talento, fome de bola e confiança.

Nenhum dos atuais nomes do setor ofensivo, nem mesmo Nicolas, mostra essas virtudes. O atacante iluminado do momento é Gabriel. Por isso mesmo, a ele deve ser dada a chance de seguir marcando gols; ou tentando, pelo menos. Amanhã, contra o Botafogo-PB, espera-se que Eutrópio reveja seus conceitos e defina um novo centroavante titular.

 

 

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