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ANÁLISE

Paysandu mantém "lei do silêncio" para sanar problemas

Confira este e outros destaques da coluna de Gerson Nogueira deste domingo (31).

domingo, 31/10/2021, 11:36 - Atualizado em 31/10/2021, 13:26 - Autor: Gerson Nogueira


"Lei do silêncio" no Paysandu está entre os destaques da coluna de Gerson Nogueira deste domingo (31).
"Lei do silêncio" no Paysandu está entre os destaques da coluna de Gerson Nogueira deste domingo (31). | John Wesley/Paysandu

O silêncio por testemunha 

Como o PSC agarrou-se à medieval “lei do silêncio” como estratégia para sanar seus problemas internos, são precárias as informações sobre a preparação do time para enfrentar o Botafogo-PB neste domingo (18h), em João Pessoa. Sabe-se, porém, que os bicolores terão duas baixas importantes: o meia José Aldo e o centroavante Danrlei, ambos lesionados.

As baixas acrescentam dramaticidade a um cenário já naturalmente complexo para o projeto de acesso à Série B. O técnico interno Wilton Bezerra, que assumiu o comando após a demissão de Roberto Fonseca, terá que encontrar soluções para o apagão defensivo visto diante do Ituano na rodada passada.

Paysandu pune torcida e imprensa por erros do próprio clube

Ao mesmo tempo, Bezerra precisa formatar um time minimamente ofensivo para buscar a vitória, único resultado que interessa ao PSC a esta altura da disputa. Derrota ou empate sela a eliminação do Papão antes mesmo da rodada final do quadrangular da Série C.

A defesa não muda. Perema e Denilson no centro e Leandro e Diego Matos nas laterais. As coisas começam a ficar nebulosas quando se fala de meio-campo, onde ninguém sabe ao certo qual a formação definida por Bezerra: Paulo Roberto, Ratinho e Ruy ou Paulo Roberto, Marino e Jonathan.

Sem Rildo, que pediu as contas amedrontado pela selvageria das facções organizadas, o ataque deve ter Marlon, Grampola e Luan Santos. São poucas as variações possíveis e, acima dos nomes, o que importa é como o PSC pretende batalhar pela vitória sem se descuidar do setor defensivo.

Em tempo: a história do futebol moderno registra somente um caso bem-sucedido de lei do silêncio. Foi em 1982, quando a seleção da Itália decidiu não dar entrevistas durante a Copa do Mundo disputada na Espanha. Paolo Rossi e seus companheiros estavam irritados com o noticiário ácido da mídia italiana em relação ao time de Enzo Bearzot.

O técnico bancou a causa, prestigiou os jogadores e extraiu deles o melhor possível. Sob descrédito geral, a Azzurra eliminou o favorito Brasil de Telê e avançou rumo ao título da Copa. Não se pode dizer que tenha servido de inspiração para a mordaça de jogadores e técnico do PSC, mas é fato que esse tipo de ação nem sempre tem final feliz.  

Bola na Torre 

Guilherme Guerreiro comanda o programa deste domingo, a partir das 22h30, na RBATV. Destaque para as séries B e C e Copa Verde. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião participam dos debates. A edição é de Lourdes Cézar. 

Insultos racistas e homofóbicos são intoleráveis 

Um novo caso de injúria racial estourou na Série B. Desta vez, o alvo foi o atacante Jefferson, do Remo, chamado de “macaco” por um torcedor do Cruzeiro, no estádio Independência, em Belo Horizonte. O jogador comemorava o segundo gol remista e as imagens ganharam de imediato as redes sociais.  

Não é um caso isolado, como muitos pensam. Xingar alguém em função da etnia ou orientação sexual tornou-se mais comum do que deveria, desde que a sociedade brasileira passou a conviver diariamente com o ódio e a discriminação, fomentados por quem deveria lutar para contê-los.  

O ato contra Jefferson foi imediatamente denunciado à CBF pelo presidente do Remo, Fábio Bentes. A imagem de vídeo capta os gritos, mas não mostra o rosto de quem insultou o atleta, mas as câmeras do estádio podem facilmente identificar o torcedor.  

Atento aos riscos de uma punição – como ocorreu com o Brusque em relação ao jogador Celsinho, do Londrina –, o Cruzeiro pediu desculpas públicas a Jefferson e ao Remo, posicionando-se contra o comportamento do torcedor e afirmando que fará o possível para identificar o agressor.

Aliás, vem de Minas Gerais também outro caso que expressa bem esses tempos de intolerância. O jogador de vôlei Maurício Souza, do Minas Tênis Clube, foi demitido por causa de comentários homofóbicos nas redes sociais dirigidos a uma HQ do Super Homem.

Maurício, negacionista e apoiador de Jair Bolsonaro, direcionou sua metralhadora giratória contra uma cena de dois homens se beijando numa história em quadrinhos. Para ele, e alguns defensores da mesma causa, manifestar esse desagrado constitui liberdade de opinião.

Não é. Declarações homofóbicas e discursos de ódio constituem crime, conforme legislação vigente desde 2019. Para os especialistas, as palavras têm o poder de abrir caminho para formas de violência mais profundas. 

A lei avacalhada pelo “comum acordo” 

Como tudo no Brasil, a norma implantada neste ano de limitar a demissão de técnicos nas Séries A, B e C já foi olimpicamente avacalhada. A ideia era disciplinar o setor e evitar o festival de mudanças de treinadores. Foi adotada a regra de que cada clube só pode fazer uma troca de técnico durante a competição. Se um segundo treinador for dispensado, o clube terá que efetivar alguém que já esteja registrado pelo clube junto à CBF.

Os espertos, porém, bolaram logo um truque para burlar a lei. Criou-se a figura da rescisão de “comum acordo” para mascarar demissões. Mesmo em casos óbvios de dispensa do profissional, o clube anuncia que tudo foi feito de forma amigável, o que permite contratar outro técnico.

Alguns técnicos – como Felipe Conceição em relação ao Cruzeiro – se rebelaram e contestaram a potoca. Outros admitem, sigilosamente, que foram demitidos, mas tiveram que concordar em assinar um termo de conciliação para que a diretoria pudesse chamar novo treinador.

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