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GERSON NOGUEIRA

Uma nova chance para Ganso

E Ganso voltou a ser notícia. Notícia boa, diga-se. Passou a ser citado por quem manja do assunto, como o craque Tostão. Isso é muito bom para o processo de resgate da confiança no seu futebol. Existem jogadores que passam por esse tipo de calvário pessoa

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E Ganso voltou a ser notícia. Notícia boa, diga-se. Passou a ser citado por quem manja do assunto, como o craque Tostão. Isso é muito bom para o processo de resgate da confiança no seu futebol. Existem jogadores que passam por esse tipo de calvário pessoal, sempre lutando contra os céticos e suas teorias. Alguns deram a volta por cima, tendo a sorte de merecer uma grande oportunidade.

Lembro, particularmente, de dois exemplos. O primeiro é um caso clássico. Gerson, o meia-esquerda revelado no Canto do Rio e que despontou no Flamengo, antes de virar astro de primeira linha no Botafogo a partir de 1963. Famoso pelos passes de longa distância e extraordinária visão de jogo, o Canhotinha sucumbiu junto com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra.

Todo o time foi mal, mas ele ganhou a fama de jogador que fugia do pau e que amarelava nos momentos decisivos. Gerson teve que esperar quatro anos para limpar a imagem. No México, em 1970, tornou-se o maestro inquestionável do timaço montado por João Saldanha um ano antes e dirigido por Zagallo. Pode-se dizer que o tricampeonato mundial salvou sua biografia.

Outro caso emblemático é o de Dunga na Copa de 1990. Foi execrado a ponto de batizar (sem querer) uma era medíocre do nosso futebol. Como Gerson, o volante precisou de quatro anos para se redimir e mostrar a todos que não merecia tanta desaprovação. Foi um dos comandantes daquele escrete mediano que levantou a taça nos States.

Ganso, ao contrário dos dois citados, ainda não teve chance de ir a uma Copa, aquele torneio onde os fracos não têm vez. Sua sina tem sido mais cruel, pois foi rejeitado (por Dunga) em 2010 quando vivia seu melhor momento na carreira. Era o cérebro daquele time do Santos, notabilizando-se como o maior garçom do também iniciante Neymar. Ambos foram descartados justamente por serem jovens demais.

Vitimado por contusões graves ao longo das últimas três temporadas, teve uma chance com Mano Menezes na seleção olímpica de 2012, mas só se reergueu a partir do ano passado sob o comando de Muricy Ramalho no São Paulo.

Ganso vem pouco a pouco enfileirando boas atuações, sem maior alarde e quase sempre perseguido pela desconfiança geral, inclusive deste escriba aqui. Seu valor passou a ser mais reconhecido ao longo da Copa do Mundo, quando ficou escancarada a falta terrível que um armador fazia à seleção de Felipão.

No Brasileiro, ajustou-se bem à nova configuração do meio-campo do São Paulo, com passes precisos e desconcertantes, como no jogo contra o Criciúma ao acionar Alan Kardec no chamado ponto futuro. Fez algumas outras jogadas de pura técnica, mas quase ninguém reparou nisso. A não ser Tostão, que inspirou este comentário com o artigo intitulado “Eu acredito no Ganso”. Se ele acredita, quem sou eu pra duvidar?

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