Estava até demorando. Uma facção “organizada” deu as caras no final do treino do Papão, ontem, no campinho do Kaza, cobrando vitórias e mais empenho dos jogadores. O técnico Vica e o gerente Sérgio Papellin ouviram as queixas e críticas, mas os jogadores não deram a menor pelota, recusando-se a descer do ônibus para conversar com os manifestantes.
Com a arrogância própria dos “organizados”, o grupo propôs a Vica um pacto: eles irão continuar a apoiar o time, mas exigem vitórias nos próximos jogos. Faltou, como sempre, combinar com os russos.
É claro que Vica, os jogadores, Papellin, Vandick e até o mascote do Papão querem vitórias. O problema é que o time tem carências sérias em várias posições e não conseguiu se aprumar na retomada da Série C até agora. Vencer jogos é o objetivo de todos, mas por enquanto a simples vontade não foi suficiente para alcançar os triunfos pretendidos.
Apesar de Vica e Papellin terem sido pacientes com os visitantes, os jogadores agiram muitíssimo bem. Não têm a menor obrigação de ficar ouvindo desaforos em horário de trabalho. São profissionais, merecem respeito. Lugar de torcedor, repito, é na arquibancada. Paga o ingresso e vai lá avaliar o time. Se não gostar, vaia, mas civilizadamente.
É preciso que se acabe urgentemente com essa mania de facções “organizadas”, normalmente violentas e baderneiras, assumirem o papel de representantes da verdadeira torcida do clube. Não representam ninguém, pois não têm legitimidade para isso.
O lado tristemente irônico disso é que parte dos dissabores do Papão na Série C deve-se justamente à ação dessas facções, cujo mau comportamento já rendeu ao clube (só nesta competição) duas condenações do STJD com perda de mandos de campo.
O torcedor tem que se recolher ao seu papel e parar de tumultuar apenas para ganhar visibilidade em momento de dificuldades do clube. Há um ditado tão velho quanto válido: cada macaco no seu galho. Tudo funciona melhor quando cada um faz a sua parte.
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