Resultados dos mais esquisitos marcaram a rodada de ontem da Copa do Brasil. O Internacional foi superado com facilidade pelo Ceará, em Fortaleza. O São Paulo perdeu com requintes de amolecimento para o Bragantino, no Morumbi. E o Fluminense foi simplesmente insuperável na armação: levou uma goleada do América-RN em pleno Maracanã. Times de Série A, cotados para o título brasileiro, abrindo a porteira para equipes emergentes, de Série B e Série C.
Uma razão simples para os resultados estranhos: Inter, São Paulo e Fluminense não têm interesse em disputar a Copa do Brasil porque estão mais interessados na Copa Sul-Americana, que dá visibilidade internacional e possibilita faturamento maior.
Tão ridícula quanto as tentativas furrecas de explicação de técnicos e jogadores depois das partidas jogos foi a constrangedora abordagem de alguns repórteres e narradores de TV, tentando driblar o óbvio e inventar uma suposta bravura dos três emergentes vitoriosos.
É claro que as vitórias foram conquistadas dentro das regras do jogo, sem qualquer trapaça, mas há algo de podre no reino da CBF. No Morumbi, atenta ao desinteresse com que o São Paulo se lançou ao jogo, a torcida vaiou e gritou diversas vezes que aquilo era uma vergonha.
Tudo isso poderia ser evitado com medidas simples, de valorização da Copa do Brasil a partir de cuidados nos regulamentos e na indicação de times para a Sul-Americana. Como a maioria dos grandes clubes do eixo Sul-Sudeste menospreza a Copa BR, por que não destinar à competição continental os primeiros colocados da Série B, Série C e Série D?
É certo que, a partir da definição desses critérios, não haveria mais a duplicidade de objetivos dentro da temporada. E o torcedor não seria obrigado a bancar o trouxa pagando ingressos para ver partidas que não são disputadas a sério ou perdendo tempo acompanhando as transmissões da TV.
No Maracanã, no espetáculo mais cínico da rodada, o América potiguar desfrutou de facilidades inacreditáveis, manobrando à vontade diante de defensores tricolores que praticamente corriam da bola. O goleiro Diego Cavalieri olhava a bola passar, aparentando conformismo.
Em Fortaleza, pelo menos, o Internacional não precisou fingir que jogava, pois foi inteiramente dominado pelo Ceará desde os primeiros minutos. O teatrinho estava completo, com quase todos saindo satisfeitos, mesmo os que se deixaram vencer. O pobre do torcedor, porém, saiu lesado em seus direitos de consumidor. E o futebol brasileiro afunda cada vez mais em meio ao descrédito generalizado.
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