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GERSON NOGUEIRA

Pikachu e Roni causam dependência

Curioso notar que ambos sejam ocupantes de faixa de campo e se disponham a jogar como no futebol de antigamente, embora sejam atletas reconhecidamente modernos. Sobre jogadores decisivos costuma-se dizer que o time tem uma dependência em relação a eles. Q

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Curioso notar que ambos sejam ocupantes de faixa de campo e se disponham a jogar como no futebol de antigamente, embora sejam atletas reconhecidamente modernos. Sobre jogadores decisivos costuma-se dizer que o time tem uma dependência em relação a eles. Quando jogam bem, as coisas normalmente resultam em final feliz. Quando vão mal, o time afunda junto com eles.

Pikachu passou um incômodo período de estiagem no Papão, logo depois da Copa do Mundo e só voltou a sorrir com o retorno de Mazola Jr. ao comando técnico da equipe. Depois de quase dez partidas passando em branco, o meia-atacante jogou bem e fez gol contra o CRB, na semana passada.

Coincidência ou não, naquela noite em Castanhal o Papão teve sua melhor atuação na retomada da Série C. Óbvio que todo o time rendeu e se superou, mas é inegável o papel de Pikachu nesse renascimento. Isso é tão verdade que no domingo, em Arapiraca, com desempenho frustrante do jogador, o Papão também não se encontrou em campo.

Do outro lado da avenida, a situação de Roni é um pouco diferente, embora ele já tenha para o Remo a mesma importância que Pikachu tem na Curuzu. Como atacante de ofício, Roni despontou no Campeonato Paraense, primeiro pelas mãos de Agnaldo de Jesus e posteriormente com Roberto Fernandes.

Realizou partidas em alto nível, como no Re-Pa que decidiu o segundo turno, quando concentrou os lances ofensivos remistas. Naquela noite, esteve a pique de marcar um gol consagrador. Investiu pelo lado esquerdo, foi à linha de fundo, driblou dois marcadores e já dentro da área bateu forte à esquerda do goleiro Mateus. A bola caprichosamente foi beijar a trave. Os azulinos perderam o turno naquele jogo, mas dias depois conquistaria o título estadual.

Roni foi, ao mesmo tempo, revelação e principal jogador do Remo na competição. Aos 20 anos, o ponteiro passou a ser tratado como a grande jóia do clube, com direito a reajuste salarial. Subitamente, na disputa da Série D passou a ser questionado por perder muitos gols, como se isso fosse motivo para queimar alguém.

Na prática, Roni desperdiça chances porque cria muitas situações de gol. Como cria mais do que os outros, passa a ter também o ônus do desperdício. Esteve na reserva por alguns jogos e reapareceu, fulgurante, voando baixo, contra o Guarani em Sobral, domingo. Marcou dois gols, deu passe para outro e foi fundamental para a atuação vitoriosa do time.

De positivo, a certeza de que tanto Leão quanto Papão ainda têm muito a se beneficiar do talento de seus melhores jogadores.

De preocupante, a certeza de que logo ambos serão negociados com clubes do Sul ou Sudeste. Que fazer? Assim é a vida.

(Gerson Nogueira)

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