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GERSON NOGUEIRA

A nova vitória dos intolerantes

Atos racistas se tornaram uma praga no futebol mundial, com seguidas ocorrências na Espanha, Itália, em países do Leste europeu e até na América do Sul, como visto no episódio de agressão ao brasileiro Tinga no Peru. Nos últimos anos, a situação se alastr

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Atos racistas se tornaram uma praga no futebol mundial, com seguidas ocorrências na Espanha, Itália, em países do Leste europeu e até na América do Sul, como visto no episódio de agressão ao brasileiro Tinga no Peru. Nos últimos anos, a situação se alastrou tanto que a Fifa decidiu entrar de sola contra essas manifestações, punindo clubes e seleções cujas torcidas discriminam adversários. No Brasil, aqui e ali, de vez em quando o problema brota também.

Ontem à noite, parte da torcida gremista manchou uma noitada que devia ser exclusivamente esportiva. Durante boa parte do segundo tempo, a Arena do Grêmio foi o triste palco de coros racistas, imitando macacos, dirigidos ao goleiro Aranha, do Santos.

Indignados, jogadores do clube paulista chegaram a parar o jogo alertando o árbitro para o fato degradante, mas os xingamentos prosseguiram em volume crescente e foram captados pelas câmeras de TV. Não é de hoje que a torcida gaúcha, representada pela dupla Gre-Nal e de times interioranos, se manifesta dessa maneira.

A revolta normal do torcedor com seu time não pode ser usada como justificativa para tais atos primitivos. Muito menos a irritação com a derrota deve ser canalizada para o time vencedor. Antes disso, deve se voltar contra as limitações do próprio Grêmio, dispersivo e confuso nas jogadas ofensivas e inseguro na defesa.

O Santos de Aranha e Robinho, que também foi alvo de ofensas ao deixar o campo, nem jogou muita coisa, mas soube aproveitou as falhas gritantes da atrapalhada equipe sulista. Nada, porém, foi tão feio quanto o comportamento dos torcedores gremistas.

Que a CBF e as associações de jogadores profissionais tomem providências para que essa prática deplorável não seja estimulada pela impunidade. Sem esquecer que o mau exemplo da torcida gaúcha se mistura às ações violentas que tumultuam campeonatos pelo país afora, inclusive no Pará.

A atitude vista na Arena do Grêmio, é bom lembrar, tem correspondência direta com os palavrões dirigidos à presidente da República na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, e na final do mundial, na Arena Maracanã, no Rio.

O risco que se observa é tanto maior quando há uma forte tendência brasileira de acomodação das coisas. Sempre se busca um jeito de tangenciar os fatos, ignorar a gravidade de episódios e tratar o racismo como algo isolado ou restrito a minorias.

A própria atitude de jogadores negros, como o volante Zé Roberto (do Grêmio), procurando relativizar o episódio, confirma que as coisas precisam ser enfrentadas com coragem e firmeza.

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