Futebol, já se disse mil vezes, é um esporte simples. Nós – torcedores, técnicos, jogadores e cronistas esportivos – costumamos complicar as coisas. Um dos primados da modalidade é o entrosamento dos times, que nasce da repetição e da adaptação dos jogadores ao esquema tático.
No caso dos dois grandes clubes de Belém, situações diversas obrigam os técnicos a mexerem o tempo todo na escalação. O Papão, ainda com chances de acesso na Série C, sofre com a perda de peças importantes por lesões e suspensões.
Para o confronto decisivo de segunda-feira com o Botafogo da Paraíba, fora de casa, o técnico Mazola Jr. não contará com o zagueiro Charles, uma das referências defensivas da equipe, e com o polivalente Djalma. Arrisco dizer que a ausência de Djalma é a mais prejudicial ao esquema usado pelo treinador.
Djalma é rápido e sabe como ninguém acompanhar o ritmo de Pikachu, principal destaque técnico do time. Sem o parceiro, Pikachu normalmente arrefece as tentativas ofensivas e tem rendimento prejudicado. Quem sofre com isso – e como sofre – é o Papão.
Do outro lado da avenida Almirante Barroso os dramas são bem diferentes. A escalação muda sempre por vontade do técnico, que já mandou a campo pelo menos seis formações diferentes ao longo da Série D.
Por insegurança quanto à confiabilidade técnica de seus jogadores ou por pura inquietação, o técnico Roberto Fernandes não conseguiu até hoje encontrar a chamada formação ideal. São mudanças constantes em todos os setores, desde o gol até o ataque.
Está nos manuais do nobre esporte bretão. Nenhum time adquire entrosamento com tantas e sucessivas alterações. No meio-de-campo, ponto nevrálgico de qualquer equipe, o Remo já mudou de cara incontáveis vezes. Nos últimos jogos, Reis se tornou uma espécie de coringa no setor, cobrindo a ausência de um meia-armador, embora seja atacante de ofício.
Antes dele, Tiago Potiguar já foi testado por ali, sem sucesso. E jamais irá dar certo naquele setor, pois é também um homem de frente. O mesmo aconteceu com Ratinho, outro atacante improvisado na meia.
O certo é que enquanto Danilo Rios não podia ser escalado, o Remo viveu de improvisações no compartimento mais importante do time. Com seu retorno anunciado para domingo, a criação deve finalmente ser entregue a um legítimo camisa 10.
Experimentações são até válidas, mas em excesso contribuem apenas para a balbúrdia tática. No caso do Remo, este é o problema que está na origem da instável performance em casa. Mais até do que o gramado ruim do Diogão.
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